Jesuítas fundem províncias da Europa central. Entrevista com Bernhard Bürgler

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15 Agosto 2020

Em tempos de declínio numérico, os jesuítas fazem um corte radical: a partir de 2021, as províncias da Alemanha, Áustria, Suíça e Lituânia-Letônia serão fundidas para formar uma única província constituída por 443 membros.

O Pe. Bernhard Bürgler foi nomeado provincial dessa província. Na entrevista concedida a Renardo Schlegenmilch, para a emissora DomRadio de Colônia, na Alemanha, ele explica do que se trata e as razões pelas quais essa decisão foi tomada.

A entrevista foi publicada em italiano por Settimana News, 14-08-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Padre Bernhard, a fusão das vitórias da Europa central está planejada há alguns anos. Como se chegou a essa decisão?

O pano de fundo é, naturalmente, a diminuição do número dos membros em diversas regiões do mundo e em várias províncias. Além disso, o objetivo é também o de criar uma estrutura que sirva à nossa missão. Atualmente, isso não é mais possível em algumas regiões e províncias. Assim, surgia a pergunta: como esse projeto poderia se concretizar na Europa central? Houve vários encontros entre as províncias para discutir quais e com quais delas se poderia constituir uma unidade em vista do futuro. Assim, chegou-se à determinação de unificar. As províncias alemã, austríaca, suíça e lituana-letã disseram: devemos começar juntas esse processo e continuá-lo juntas, e, no fim, o resultado será o nascimento da Província da Europa Central.

Você fala de “uma estrutura que sirva à missão”. Quando isso não é mais possível?

Quanto menor uma província se torna, mais difícil também se torna a missão. Pensemos, por exemplo, em uma província que tem instituições para as quais existem membros capazes e comprometidos em número suficiente. Se ela estiver em uma unidade maior, é mais fácil encontrar coirmãos desse tipo. Por isso, também é mais fácil levar adiante a missão que se deseja. Ao contrário, também é verdade que, se em uma província houver pessoas com talentos particulares, poderia não haver um lugar adequado para eles em uma unidade menor. Em uma unidade maior, isso é mais fácil. Eis uma das razões que sugerem dar origem a uma unidade maior, constituindo-a como província.

É certo também que a colaboração internacional tem um papel maior em uma época em que as tendências nacionalistas estão se fortalecendo. Como gerir esse conflito, esse desafio?

Concordo com você que o espírito do tempo leva a nos fecharmos no próprio contexto nacional. O carisma da nossa ordem, desde o início, vai na direção oposta. Os primeiros companheiros do nosso fundador, Inácio de Loyola, provinham de nações diferentes. Inácio nunca pensou em termos nacionais, mas em sentido universal. Seja no que dizia respeito às regiões para onde ele enviou ou queria enviar as pessoas, seja também de onde elas provinham. A rigor, nós, como religiosos, não entramos em uma província, mas na Companhia de Jesus. Com todo o respeito pela nacionalidade, cultura, condições do lugar, o que é importante para Inácio também é importante para nós. Acho que, precisamente para este tempo, a nossa escolha pode ser um sinal que convida a superar as fronteiras nacionais. A nossa escolha pode mostrar que uma visão mais ampla tem vantagens e também corresponde melhor à visão cristã.

Isso também deve servir para preparar a ordem dos jesuítas para o futuro. Qual é a visão de vocês sobre a ordem e a Igreja no futuro?

Como ordem, naturalmente respeitamos os nossos recursos tanto financeiros, quanto pessoais. Mas espero que possamos estar presentes e ser relevantes e eficazes nos mais variados setores. Temos três áreas interligadas: espiritualidade, educação e âmbito social. Se consolidarmos essas áreas, então acredito que poderemos dar uma contribuição para as pessoas e também na Igreja e para a Igreja.

Como província da Europa central da maior ordem católica masculina, vocês também têm o peso da Igreja mundial, especialmente porque, com o Papa Francisco pela primeira vez, vocês têm um jesuíta como papa. Vocês querem que a voz de vocês seja ouvida também no Vaticano, ou primeiro vocês olham para dentro, para manter as comunidades unidas?

Acho que os dois aspectos são importantes e eu os considero como minha tarefa. Naturalmente, acima de tudo, temos que olhar para dentro, ou seja, para os lugares onde atuamos, mas também temos que nos abrir para fora. Não estamos aqui apenas para nós mesmos, mas sim para as pessoas, e fazemos isso a serviço da Igreja. Portanto, acredito que é bom ser uma voz na Igreja e também uma voz para a liderança da Igreja.

A partir do próximo ano, a província de vocês terá 443 membros, com os quais você, como provincial, terá que se relacionar. Você se preocupa com esse grande compromisso?

Eu tenho um grande respeito por esse desafio. Acho que é uma grande tarefa, principalmente a cura personalis, como nós a chamamos, ou seja, o cuidado dos coirmãos individuais. Com esse número e com essa dimensão, eu me encontro realmente diante de um grande desafio.

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