Destruir florestas tropicais é uma afronta a todas as tradições espirituais, enfatiza IRI

Foto: Pixabay

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27 Junho 2020

A proteção das florestas tropicais é “parte de um tecido moral mais amplo que inclui justiça social e econômica, respeito pelos direitos humanos e dignidade humana, e conquista da paz e igualdade”, expressa a declaração da Interfaith Rainforest Initiative (IRI), por ocasião do lançamento, no Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, do “Guia de Recursos sobre Proteção de Florestas Tropicais para Comunidades Religiosas”.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

O guia oferece informações sobre a crise provocada pelo desmatamento, traz perspectivas espirituais quanto ao papel vital das florestas tropicais na ecologia biológica e espiritual do mundo. Também apresenta propostas de ações que pessoas e instituições podem adotar para proteger as florestas tropicais remanescentes do mundo.

As florestas tropicais, afirma o IRI, “são um tesouro sagrado, um dom insubstituível e essencial à vida na Terra”. A destruição desse tesouro “é uma afronta a todas as formas de fé e tradições espirituais”, que está levando à perda de espécies, aprofundando a pobreza, minando o desenvolvimento sustentável, criando conflitos e insegurança, e roubando da humanidade a melhor solução que ela tem para estancar a mudança climática.

Na atualidade, segundo o IRI, a agricultura é o principal motor do desmatamento, uma atividade que não necessita mais de expansão uma vez que é possível alimentar a população crescente do mundo com a produção existente.

IRI se compromete a mobilizar as comunidades religiosas, da base às lideranças, para aderirem à coalizão de povos indígenas (guardiões da natureza), governos, sociedade civil, empresas e parceiros das Nações Unidas que já trabalham na proteção de florestas. “Aportaremos nossos recursos espirituais para fazer valer essa questão”, pois trata-se de expressão “do nosso cuidado com a Terra”, anuncia.

O organismo de luta pela preservação das florestas tropicais se compromete a fazer “do fim ao desmatamento um forte chamado espiritual”, e advogar junto aos governos que cumpram e ampliem os compromissos de proteção das florestas e dos direitos dos povos indígenas.

“Comprometemo-nos a exercer influência sobre o setor privado e as indústrias extrativas que estão transformando as florestas tropicais em terras agrícolas, em commodities como carne bovina, soja, óleo de palma, celulose e papel, e em exploração de minério, madeiras, petróleo e gás”, e “não acolheremos as empresas que lucram com a destruição de florestas tropicais”.

O compromisso do IRI se estende também aos povos indígenas, no sentido de oferecer abrigo e proteção contra ameaças de intimidação, violência e incursão em suas terras. O organismo concentra sua atenção de modo especial na situação do Brasil, Colômbia, Peru, República Democrática do Congo e Indonésia, países que contam com 70% das florestas tropicais remanescentes no mundo.

Ao proteger as florestas tropicais, frisou o reverendo Dr. Ioan Sauca, secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), organização ecumênica internacional que integra o IRI, “protegemos os ‘pulmões’ do planeta e começamos a construir novos relacionamentos mais sustentáveis na criação de Deus e no enfrentamento da emergência climática”.

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