Cardeal Marx renuncia à reeleição: um sinal de colegialidade

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12 Fevereiro 2020

O editor-chefe da página Domradio.de, Ingo Brüggenjürgen, se pronuncia sobre a renúncia do cardeal Reinhard Marx à presidência da Conferência dos Bispos da Alemanha. Em janeiro, o cardeal iniciou junto com os leigos o “Caminho Sinodal”: agora, não quer mais ser presidente da Conferência Episcopal.

A reportagem é de Domradio.de, 11-02-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

O cardeal Marx não se candidatará mais à presidência da Conferência dos Bispos da Alemanha. Essa notícia é surpreendente?

Efetivamente, é uma surpresa. Eu acho que o mundo católico não esperava isso, pelo menos todos aqueles que participaram do Caminho Sinodal, que se reuniram em Frankfurt, que tiveram conversas confidenciais com jornalistas na sala da assembleia e na catedral de Frankfurt. Para mim também essa comunicação é totalmente nova!

Já há notícias sobre as motivações que estão na origem disso?

Na carta que o cardeal Marx enviou aos seus coirmãos bispos, ele indica os motivos. Ele escolhe o momento oportuno em vista da assembleia plenária da primavera da Conferência Episcopal, que ocorrerá em Mainz, no início de março. A escolha do presidente normalmente está em pauta no fim do turno. Até hoje, todos supunham que o cardeal Marx aceitaria continuar o seu mandato. Agora ele comunica que refletiu longamente e que, há algum tempo, está convencido de que deve mais se pôr à disposição. Ele comunica isso aos coirmãos bispos e também diz que a idade afeta a sua escolha. Ao término de um possível outro mandato, ele teria 72 anos. No entanto, não está prevista uma idade para a presidência da Conferência Episcopal.

A partir da história, sabemos que os mandatos sempre envolveram tempos decididamente longos. Lembremos o cardeal Lehmann ou também, antes, a mudança de presidência entre Colônia e Munique. Os mandatos dos bispos sempre eram muito longos, assim como os dos presidentes da Conferência Episcopal. Talvez, porém, agora se trate também de um sinal que o cardeal Marx quer enviar à Igreja alemã, no rastro das discussões sobre o poder que estão novamente no centro das atenções também no Caminho Sinodal: “Eu mesmo faço um sinal. Este (peso) pode ser posto também sobre os ombros de outros. Eu não tenho que carregar tudo sozinho”. Nesse sentido, na minha opinião, é um sinal da colegialidade para os bispos e, em perspectiva, um sinal positivo.

O que acontecerá agora? Como se procederá?

Agora, naturalmente, se discutirá, assim como na CDU [União Democrata-Cristã]. A corrida está completamente aberta de novo. Até agora, acreditava-se que Marx seria nomeado. Ninguém ainda se perguntou se existem outros candidatos. Após essa clara renúncia, as pessoas vão se perguntar nos bastidores como seguir em frente. Vai ser interessante.

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