Papa Francisco e os três ecumenismos

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06 Mai 2019

Em seu encontro com o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa da Bulgária, o Papa recordou aquele de sangue que une os mártires cristãos de cada confissão e propôs como caminho imediatamente praticável aquele “do pobre” e o “da missão".

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican News, 05-05-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Existe o ecumenismo do sangue, o ecumenismo do pobre e o ecumenismo da missão.

Em seu discurso diante do Patriarca Neofit e do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa da Bulgária, Francisco indicou um caminho imediatamente praticável para a unidade dos cristãos pertencentes a diferentes confissões. Igrejas já unidas, apesar de suas divisões ancestrais, seus conflitos e suas controvérsias doutrinárias, pelo martírio e pela perseguição naquele ecumenismo de sangue que o Papa já mencionou muitas vezes, lembrando como os perseguidores não façam distinções quando atacam os crentes em Cristo e seus lugares de oração.

Francisco falou dos cristãos búlgaros que "sofreram tribulações pelo nome de Jesus, especialmente durante a perseguição do século passado". E recordou os "muitos outros irmãos e irmãs espalhados pelo mundo" que "continuam a sofrer por causa da fé", pedindo "que não permaneçamos fechados, mas que nos abramos, porque só assim as sementes darão frutos".

Em seguida, o Papa, em homenagem a Angelo Roncalli, o futuro João XXIII, que aqui na Bulgária foi representante pontifício, repropôs seu testemunho, convidando os cristãos a "caminhar e agir juntos para dar testemunho do Senhor, servindo, de modo particular, aos irmãos mais pobres e mais esquecidos, entre os quais Ele se faz presente”. É "o ecumenismo do pobre". Já podemos estar unidos, já podemos caminhar juntos, independentemente dos diálogos de cúpula e das diferenças teológicas. Podemos testemunhar o Evangelho junto com aqueles que sofrem.

O terceiro ecumenismo está ligado à missão e à comunhão, seguindo o exemplo dos Santos Cirilo e Metódio: é aquele da missão. Pode-se caminhar juntos tentando anunciar o Evangelho. O Papa insistiu especialmente nos jovens: “Como é importante, no respeito às respectivas tradições e peculiaridades, ajudar-nos e encontrar modos de transmitir a fé de acordo com as linguagens e formas que permitam aos jovens experimentar a alegria de um Deus que os ama e ele os chama!".

O diálogo dos teólogos, o caminho para esclarecer as questões ainda abertas - que, no caso dos ortodoxos, não tocam nos elementos essenciais da fé e dos sacramentos - é importante. Mas não é suficiente. Acima de tudo, corre o risco de permanecer como algo distante, relegado aos âmbitos dos especialistas. O que pode influir a vida concreta de cristãos de diferentes denominações que vivem lado a lado é a proposta de um ecumenismo a ser colocado em prática, sem ter que esperar respostas vindas de cima. Um ecumenismo de testemunho e de missão. Assim, a unidade dos cristãos torna-se um sinal de unidade e de paz para o mundo.

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