Cardeal Marx pede uma revisão do celibato obrigatório: 'A verdade não é eterna'

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07 Janeiro 2019

São importantes na Igreja o desenvolvimento de programas anti-pederastia "e sua melhora, prevenção e revisões independentes, mas é preciso algo mais". Algo como a reavaliação do celibato sacerdotal obrigatório. Esta é a opinião do cardeal Reinhard Marx, que, à luz do "fracasso" que revelou o escândalo de abusos em várias partes do mundo, voltou a defender que a Igreja "evolua" na disciplina sexual que requer do clero.

"Creio que já chegou a hora de nos comprometer a abrir o caminho da Igreja à renovação e à reforma", proclamou o cardeal Marx em sua homilia na Missa de Ano Novo na catedral de Nossa Senhora, em Munique, de acordo com o que foi publicado por CNS.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 05-01-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

"A evolução na sociedade e as demandas históricas tornaram evidentes a necessidade de renovação e as tarefas necessárias para empreendê-la", explicou o arcebispo de Munique e Freising. O também presidente da Conferência Episcopal alemã enfatizou em seu sermão que as medidas que a Igreja adotou até aqui como resposta à crise de abusos não são suficientes e que fazem falta "adaptações da doutrina" para realmente combater o problema.

Estas modificações da tradição, argumentou o cardeal Marx, também são necessárias para que a Igreja seja fiel ao mandato de abertura ao mundo que empreendeu no Concílio de meados do século passado. "Estou convencido de que o grande impulso de renovação do Vaticano II não está seguindo em frente, nem está sendo entendido em sua profundidade", defendeu, acrescentando que "temos que trabalhar nisso".

"A verdade não é eterna. Podemos reconhecê-la mais profundamente no caminho compartilhado da Igreja", apontou ainda o cardeal, colaborador próximo do Papa Francisco em seu 'gabinete' de cardeais assessores, conhecido como C6. Marx acrescentou que é seu "dever como sacerdote e bispo" adotar novas posturas sobre esta e outras questões de atualidade eclesial. Como também é dever de todos os católicos, que devem "deixar para trás categorias como esquerda e direita, liberal e conservador, para nos centrar no caminho do Evangelho em um ponto concreto no tempo".

"Viramos para uma nova maneira de pensar", animou o cardeal aos fiéis reunidos na missa, recordando-lhes que "arriscar" seu pensamento "é importante ao final de um ano e o começo de um ano novo" e os encorajando a "não se esconder na retórica do passado".

"Naturalmente nos mantemos em uma grande tradição, mas esta não é uma tradição completa. É um caminho para o futuro", continuou, advertindo os paroquianos que o ano de 2019 da Igreja seguirá cheio de "inquietude e oposição", por isso faz mais falta do que nunca "um novo pensamento".

É que este ano promete ser um ano de mudanças para a Igreja alemã, especialmente porque os bispos organizaram para sua plenária desta primavera um debate sobre o celibato sacerdotal obrigatório como resposta direta à crise de abusos, o qual contará com a intervenção de profissionais de várias disciplinas, tanto de dentro como de fora da Igreja.

Este debate se produzirá em meio a uma forte polêmica na Alemanha pela questão da disciplina do celibato, que se encontra cada vez mais no olho do furacão, não só pela pressão da mídia secular, como também pela influência do protestantismo. Até tal ponto que em novembro último o Comitê Central de Católicos Alemães (Zentralkomitee der deutschen Katholiken) votou por uma ampla maioria contra à norma eclesiástica.

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