Onde está Deus? Somos capazes de fazê-lo entrar nas nossas vidas? Artigo de Eugenio Bernardini

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16 Novembro 2017

“Onde está Deus? Onde ele é perceptível nas tragédias da humanidade, causadas também pelos conflitos religiosos, nas catástrofes naturais, no sofrimento das doenças, no desenvolvimento de sociedades cada vez mais despersonalizantes e individualistas? Onde está Deus? Deus está onde nós o deixamos entrar, entrar na nossa história, nas nossas escolhas de vida, nas nossas consciências.”

A reflexão é do teólogo e pastor valdense Eugenio Bernardini, moderador da Mesa Valdense, o órgão representativo e administrativo da Igreja Valdense. O artigo foi publicado por Il Fatto Quotidiano, 12-11-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto

Eis o texto.

De onde viemos? Qual é o segredo das origens da vida humana? No princípio, houve um desígnio superior ou somos frutos de reações químicas e físicas casuais, talvez replicadas ou replicáveis em outros mundos? E, acima de tudo, para onde vamos? Haverá um futuro para a humanidade, e qual será?

As tentativas de resposta a essas perguntas fundamentais são o motivo condutor de “Origem”, o último best-seller de Dan Brown, o prolífico autor de thrillers de fundo religioso, como “O código Da Vinci” e “Anjos e demônios”.

Assim como na maioria dos romances anteriores, o protagonista é Robert Langdon, professor de simbologia e iconologia religiosa em Harvard, que representa o olhar daquela cultura secular capaz de combater o extremismo e o totalitarismo religiosos, sem, por isso, se tornar ateia e capaz de reconhecer que, dentro de todas as grandes religiões, há movimentos e protagonistas que buscam o diálogo e a paz, e, por isso, devem ser respeitados e apoiados.

Particularmente, “Origem” é uma reflexão sobre o eterno conflito entre ciência e fé, mas partindo dos desafios, também éticos, que o desenvolvimento vertiginoso das novas tecnologias e da inteligência artificial nos colocam cotidianamente, transformando a nossa cotidianidade, mas também as nossas consciências.

Ainda haverá lugar para Deus em um mundo dominado pelas tecnologias e pela comunicação informática? É uma típica pergunta do Terceiro Milênio. O último século do segundo milênio, o século XX, fez-se a mesma pergunta – onde está Deus? – mas a partir de outro ponto de vista, o da experiência dilacerante das tragédias e dos sofrimentos das duas guerras mundiais e dos impiedosos massacres dos nacionalismos europeus.

Na Bíblia, dos Salmos ao Novo Testamento, também encontramos muitas vezes esta pergunta: onde está Deus? Quando e onde se manifesta ou se manifestará? Como em um dos textos sugeridos pelo lecionário que estamos seguindo – Un giorno, una parola (Ed. Claudiana 2017) – e que, de algum modo, são preparatórios para o período do Advento, que iniciará neste ano com o primeiro domingo de dezembro: “Os fariseus perguntaram a Jesus sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Jesus respondeu: ‘O Reino de Deus não vem ostensivamente. Nem se poderá dizer: ‘Está aqui’ ou: ‘Está ali’, porque o Reino de Deus está no meio de vocês” (Lucas 17, 20-21; trad. Bíblia Pastoral).

Entre os estudiosos, há diversas interpretações das palavras de Jesus – “O Reino de Deus está no meio de vocês” –, mas eu gostaria de partir de uma anedota judaica: “Um famoso rabi, um dia, surpreendeu alguns sábios que eram seus hóspedes, perguntando: ‘Onde Deus habita?’. Eles zombaram dele: ‘O que você está dizendo? O mundo está cheio da sua glória!’. Mas ele mesmo respondeu à sua própria pergunta: ‘Deus habita onde o deixam entrar’”.

Onde está Deus? Onde ele é perceptível nas tragédias da humanidade, causadas também pelos conflitos religiosos, nas catástrofes naturais, no sofrimento das doenças, no desenvolvimento de sociedades cada vez mais despersonalizantes e individualistas? Onde está Deus? Deus está onde nós o deixamos entrar, entrar na nossa história, nas nossas escolhas de vida, nas nossas consciências.

A pergunta justa, então, não deve ser dirigida a Deus: “Deus, onde estás?”. Mas sim a nós: onde ou quando permitimos que Deus entre na nossa vida?

Quando o deixamos entrar, esta vida – tão pequena, fugaz, discutível – também adquire um valor imenso para nós, finalmente, porque, para Deus, a nossa vida sempre tem um valor imenso.

“O Reino de Deus não vem ostensivamente”, diz Jesus, mas vem para atrair os corações e para transformá-los, abandonando arrogâncias e a autossuficiências, medos e violências, e criando um espaço de vida para todos: “O Reino de Deus”.

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