Argentina. Francisco e Hebe de Bonafini. Uma relação singular

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16 Outubro 2017

É extremamente difícil qualificar a relação entre Francisco, o Papa, e Hebe de Bonafini, um símbolo vivo da luta pelos direitos humanos na Argentina. Poderia ser dito que nem mesmo os próprios protagonistas poderiam descrever com precisão as características de um vínculo que - pelo menos nos termos atuais - remete-se apenas ao momento em que Jorge Bergoglio se tornou o Papa Francisco.

O comentário é de Washington Uranga, jornalista, publicado por Página/12, 15-10-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

No entanto, ninguém poderia negar que ambos os personagens estão unidos por uma relação de confiança e respeito mútuos, o que implica no reconhecimento das trajetórias de cada um e na valorização do lugar que ocupam, respectivamente, em suas áreas de referência. Alguém poderia também dizer que tanto Hebe quanto o Papa, por razões distintas, beneficiam-se da relação um com o outro. Mas não há utilitarismo de nenhuma das partes. Pelo contrário. Tanto Hebe de Bonafini quanto Jorge Bergoglio têm plena consciência de que, dentro de certos limites e em harmonia com os acordos básicos que existem entre ambos (isso inclui o reconhecimento das diferenças), a vinculação e, em alguns casos, a ação conjunta, beneficiam as causas nas quais eles coincidem e, além disso, fortalece os dois personagens em distintas medidas.

A comunicação entre Francisco e Hebe - assim os dois se tratam - é muito mais assídua do que uma pessoa de fora poderia imaginar. Para contextualizar: o Papa é um homem que, apesar de sua agenda lotada e de suas ocupações frente ao catolicismo no mundo, está ligado pessoalmente, sem intermediários, geralmente através de telefone ou e-mail, com muitas pessoas ao redor do mundo. Grande parte dessas pessoas que estão na lista de contatos do Papa residem na Argentina. Muitos deles são amigos ou pessoas com quem Jorge Bergoglio já tinha laços como sacerdote ou como bispo na Argentina. Não é o caso de Hebe de Bonafini, com quem Bergoglio, arcebispo e cardeal, quase não teve relações, e as que existiram nunca atingiram o grau de confiança que hoje existe entre ambos, como fica evidente na nota de Nora Veiras, a qual estas linhas acompanham. Hoje, Francisco e Hebe trocam muitas mensagens informativas, de interesse comum, sobre questões que inquietam aos dois e cujo teor nunca transcende nem sequer os círculos mais próximos dos interlocutores.

De algo não se pode duvidar: tanto o Papa quanto Hebe de Bonafini estão preocupados com a situação na Argentina, especialmente quanto a realidade que os pobres atravessam, a deterioração da qualidade de vida e a perda de direitos que vem se concretizando. E cada um, a partir do seu lugar, faz contribuições, colaborações, mandando mensagens. Cada um a seu estilo, dentro das respectivas margens de atuação e das possibilidades. Aparecerem juntos, apoiarem-se mutuamente, faz parte da mesma estratégia e serve aos mesmos fins.

Não se pode dizer que ambos coincidem em suas perspectivas ideológicas e políticas. Nenhum deles muda suas convicções. Mas há em ambos uma preocupação genuína com o ser humano e com a justiça. De lugares e metodologias distintos, mas com uma consciência básica que lhes permite um lugar de encontro a partir da diferença.

O fato que acontecerá hoje no Vaticano deve ser lido nessa linha, nesse contexto. Uma situação gerada, sem dúvida, a partir da audácia, da criatividade e da tenacidade de Hebe de Bonafini, e também da abertura de Francisco que, em muitos aspectos, segue reafirmando a ideia de que a chegada ao pontificado permitiu a este sacerdote um grau de liberdade e uma visão política que Bergoglio não tinha antes ou que não a ostentava.

Sem dúvida, entre Francisco e Hebe há uma relação singular, hoje tão genuína e firme, quanto difícil de categorizar ou de encerrar em um molde ou qualificação.

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