Quem tem medo da reviravolta de Bergoglio? Artigo de Alberto Melloni

Fonte: France Manifesto

Mais Lidos

  • Índia. Medo da repressão: igrejas alertam não cristãos para que não frequentem celebrações religiosas

    LER MAIS
  • Lições de humanidade: o papa excomunga todos os partidos de extrema-direita. Artigo de Mario Giro

    LER MAIS
  • Vivemos num momento em que ou a esquerda se torna capaz de fazer as pessoas sonharem com outro mundo, ou elas vão ser engolidas, afirma o pesquisador

    Eleições 2026: a violência que atinge as periferias e a necessidade de imaginar outros mundos possíveis. Entrevista especial com Orlando Calheiros

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

07 Fevereiro 2017

“Com a metade daquilo que o cardeal Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, disse e fez, Pio XI teria feito ele devolver o barrete cardinalício. E os quatro idosos cardeais que enviaram um ultimato ao papa não sofreram sequer um chamado à prudência.”

A opinião é do historiador italiano Alberto Melloni, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João XXIII, em Bolonha. O artigo foi publicado no jornal La Repubblica, 05-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Os cartazes contra o papa que apareceram nos muros de Roma são a prova de que existe uma Italia ferox, que, com a difamação, usa e alimenta falhas profundas de ressentimentos e cafonice. Mas explicam à Igreja que aquele mundo dos blogs reacionários – o “web-katto-kruel” – não expressa mais amor à tradição, mas um fetichismo cristão pelo antiquado, indócil ao Evangelho e necessitado de visibilidade.

Diante da acusação de ter “comissariado Congregações, removido sacerdotes, decapitado a Ordem de Malta e os Franciscanos da Imaculada, ignorado cardeais”, o Papa Bergoglio, com efeito, só pode sorrir. Com a metade daquilo que o cardeal Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, disse e fez, Pio XI teria feito ele devolver o barrete cardinalício. Os Cavaleiros de Malta foram vítimas de um golpe interno, que o papa reverteu, restaurando a soberania anterior.

Não foi – infelizmente – o lefebvrianismo, mas sim uma série de práticas graves sobre pessoas e sobre o dinheiro que levou à tentativa de disciplinar a congregação das Franciscanos da Imaculada, em vez da sua dissolução de império. E os quatro idosos cardeais que enviaram um ultimato ao papa, como se fosse réu em um julgamento por heresia, não sofreram sequer um chamado à prudência.

O papa, portanto, pode e deve ignorar esses episódios: a Itália não. Que o pior catolicismo tenha as mesmas pulsões agressivas da pior Itália não é novo. Mas nunca trouxe coisas boas.

Leia mais