Jornal do Vaticano é lançado em edição Argentina por editor protestante

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06 Janeiro 2017

Se alguma instituição poderia ser considerada imutável no Vaticano, uma aposta segura seria seu venerável jornal, L'Osservatore Romano. Pelo menos até esta semana, quando surgiu uma nova edição argentina, misturando conteúdo romano e local. E seu editor nem Católico é.

A reportagem é de Austen Ivereigh, publicada por Crux, 04 -01-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O venerável jornal do Vaticano L'Osservatore Romano tem agora, pela primeira vez, uma edição local, publicada esta semana em espanhol, na Argentina. Ainda mais notável é o fato de seu editor ser um estudioso protestante da Bíblia.

O jornal de 16 páginas, publicado esta semana com uma carta de recomendação assinada por Francisco, é idêntico em aparência à edição espanhola semanal de Roma. No entanto, suas nove páginas de conteúdo traduzido da edição Romana - incluindo discursos importantes do Papa – misturam-se com sete páginas de histórias e colunas da Argentina.

"Papa Francisco é a Argentina e merece ser devidamente reconhecido em seu país amado", escreve Marcelo Figueroa, em um editorial.

Entre os colaboradores locais estão o rabino Abraham Skorka, velho amigo e colaborador judaico do Papa, e uma entrevista com o presidente do Uruguai e sindicalista José Mujica, que recentemente esteve em Roma para a reunião dos movimentos populares.

"Eu não sou crente, mas sou um admirador político da Igreja Católica e acredito que a palavra de Francisco é vital para a região", diz ele a Figueroa.

Também na primeira edição estão dois teólogos muitas vezes considerados as mentes de Francisco na Argentina: Padre Carlos Maria Galli, membro da Comissão Teológica Internacional, e o arcebispo Víctor Fernández, Reitor da Universidade Católica de Buenos Aires, que por muitos anos foi conselheiro teológico de Francisco e redator de seus documentos-chave.

"Muitos católicos leem o Papa através da mídia e acabam repetindo, irritados, o que ouviram no noticiário", escreve Fernández. E acrescenta: "esta edição promoverá um acesso direto às ações, gestos e textos de Francisco".

Figueroa, um apresentador de rádio evangélico que já apresentou debates da Escritura na TV com Skorka e o arcebispo de Buenos Aires, que na época era cardeal, continua próximo de Francisco. Ele estava entre os que acompanharam o Papa à Suécia em novembro do ano passado para a comemoração da Reforma.

Ele disse à Crux que a primeira edição, distribuída juntamente com o jornal Perfil, teve uma tiragem de 40.000 exemplares que rapidamente se esgotou, e que as futuras edições teriam uma tiragem maior. A partir de março, o jornal será semanal, com dois terços de conteúdo advindo da edição semanal romana, em espanhol.

A missão da L'Osservatore Romano era ser "um veículo para a transmissão do propósito universal do Papa, o que faz dele um jornal com um propósito único", disse ele à Crux, acrescentando que os que os articulistas não apenas eram amigos do Papa, mas eram, principalmente, pessoas "que conhecem o seu pensamento".

Futuros colaboradores, disse ele, não seriam apenas da Argentina e de outras partes da América Latina, mas também de diferentes regiões do mundo.

"Eles não precisam escrever apenas sobre o pensamento do Papa, mas sim sobre temas relacionados com a sua missão e que decorram de sua influência moral universal", disse ele.

O editor do L'Osservatore em Roma, Giovanni Maria Vian, escreve na capa da edição argentina que uma edição nacional apoiada pelos bispos locais era "uma grande novidade na história do jornal da Santa Sé", fundado em 1861.

A novidade, contudo, não está no fato de ser uma edição local, mas em integrar a edição de Roma com o conteúdo local.

Uma edição argentina do jornal, intitulado em espanhol, El Observador Romano, foi publicada entre 1951 e 1969, quando L'Osservatore Romano trouxe uma edição espanhola semanal que acabou ficando redundante.

A outra novidade, escreve Vian, está em confiar a direção a um não-católico. Contudo, ele argumenta que isto também não é uma grande novidade per se - primeiramente porque não-católicos frequentemente contribuem com o jornal e, em segundo lugar, porque o jornal se direciona à fraternidade universal.

"Minha identidade Protestante reflete a abertura e generosidade de Francisco, à qual não quero parar de agradecer, do fundo do meu coração", escreve Figueroa em seu editorial.

Ele acrescenta: "É por isso que, nesta edição do L'Osservatore Romano para a Argentina, os espaços de reflexão e opinião serão abertos não apenas para altos representantes da Igreja Católica nacional, mas também aos líderes de diferentes religiões e a todas as pessoas de boa vontade que possam fornecer uma visão local sobre a influência de Francisco".

"Francisco foi eleito quando as periferias da urbe apareceram no coração dela", escreve Galli em seu artigo "O Papa do sul do sul". "Ele representa a chegada do sul no coração da Igreja e, como as Nações Unidas têm mostrado, a voz do sul global no mundo."

Questionado se o conteúdo local argentino também poderia moldar o da edição romana, Figueroa apontou a edição de 31 de dezembro, em que, na página cinco, dois artigos da edição argentina foram traduzidos para italiano.

A periferia moldando o centro, como diria o Papa Francisco - depois do teólogo Yves Congar.

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