“Digamos não ao poder e à deslealdade”, propõe o papa Francisco

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10 Novembro 2016

Para estar verdadeiramente a serviço de Deus, devemos ter cuidado e não “fazer um jogo duplo”, e evitar buscar o poder e a fama. A afirmação é do Papa Francisco e feita durante a missa que celebrou na manhã da terça-feira, 08 de novembro de 2016, na Capela da Casa Santa Marta, segundo indicou a Rádio Vaticano. O Pontífice insistiu em que não se pode servir simultaneamente a Deus e ao mundo.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr e publicada por Vatican Insider, 08-11-2016. A tradução é de André Langer.

O Bispo de Roma refletiu sobre a afirmação que cada verdadeiro cristão sempre deve repetir a si mesmo: “Somos servos inúteis”. E falou sobre os obstáculos que impedem de servir a Deus com liberdade. São muitos, observou com tristeza: “um é o desejo de poder: quantas vezes vimos, talvez em nossa própria casa: ‘aqui quem manda sou eu’. E quantas vezes, sem dizê-lo, fizemos sentir aos outros que: ‘quem manda sou eu’, não? Também fazer ver isto, não? O desejo de poder... E Jesus nos ensinou que aquele que manda deve transformar-se naquele que serve. Ou, se alguém quiser ser o primeiro, que seja o servo de todos. Jesus reverte os valores do mundanismo, do mundo. E este desejo de poder não é o caminho para ser um servo do Senhor. Pelo contrário, é um obstáculo, um destes obstáculos que pedimos ao Senhor que afaste de nós”.

O outro obstáculo, continuou Francisco, acontece “também na vida da Igreja”: “a deslealdade”. Esta, disse, acontece “quando alguém quer servir a Deus, mas também serve a outras coisas que não são o Senhor”.

“Jesus – insistiu o Papa argentino – nos disse que nenhum servo deve ter dois patrões. Ou serve a Deus ou serve ao dinheiro. Foi Jesus que o disse. E este é um obstáculo: a deslealdade. O que não é a mesma coisa que ser pecador. Todos somos pecadores e nos arrependemos disso, mas ser desleal é fazer jogo duplo, não? Jogar à direita e à esquerda, jogar com Deus e jogar com o mundo, não? Isto é um obstáculo. Aquele que tem sede de poder e aquele que é desleal dificilmente pode servir, ser servo livre do Senhor”.

Estes obstáculos, os desejos de poder, a deslealdade, disse o Papa, “tiram a paz e causam um tremor no coração que não deixa em paz, mas sempre ansioso”. E isto “nos leva a viver naquela tensão da vaidade mundana, viver para aparecer”.

Quantas pessoas, recordou Francisco com amargura, “vivem apenas para estar na vitrine, para aparecer, para que digam: “ah, que bom que é...”, para a fama. Fama mundana”. E assim, disse, “não se pode servir ao Senhor”. Por este motivo, o Papa convidou para pedir “ao Senhor para que remova os obstáculos para que, com serenidade, tanto do corpo como do espírito”, possamos “dedicar-nos livremente ao seu serviço”.

“O serviço de Deus – destacou o Papa Francisco – é livre: nós somos filhos, não escravos. E servir a Deus em paz, com serenidade, quando Ele mesmo removeu de nós os obstáculos que tiram a paz e a serenidade, é servi-lo com liberdade. E quando servimos o Senhor com liberdade, sentimos a paz ainda mais profunda, não? Da voz do Senhor: ‘Ah, vem, vem, vem, servo bom e fiel’. E todos queremos servir ao Senhor com bondade e fidelidade, mas necessitamos da sua graça: sozinhos não podemos. E para isto, devemos pedir sempre esta graça: que seja Ele quem tira estes obstáculos, que seja Ele quem nos dá esta serenidade, esta paz do coração para servi-lo livremente, não como escravos: como filhos”.

O Sucessor de Pedro recordou que quando o nosso serviço é livre, devemos repetir que “somos servos inúteis” conscientes de que sozinhos não podemos fazer nada. “Só devemos pedir e abrir espaço – disse – para que Ele faça em nós e Ele nos transforme em servos livres, em filhos, não em escravos”.

“Que o Senhor – foi a invocação do Papa – nos ajude a abrir o coração e a deixar que o Espírito Santo trabalhe, para que remova de nós esses obstáculos, especialmente o desejo de poder que faz tanto mal, e a deslealdade, a dupla face” de “querer servir a Deus e ao mundo. “E assim – concluiu – nos dê esta serenidade, esta paz para poder servi-lo como filho livre que, com tanto amor, lhe diz: ‘Pai, obrigado, mas Tu sabes: sou um servo inútil’”.