Desmatamento na região amazônica tende a diminuir mas ainda é alto, diz estudo da Raisg

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

07 Outubro 2015

A Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg) revela em nova publicação que entre 2000 e 2013 ocorreu uma desaceleração na perda da cobertura original da Amazônia em relação ao período de 1970-2000. Apesar disso, os números continuam altos na região para os três períodos analisados (2000-2005; 2005-2010; 2010-2013). O estudo da Raisg estima que entre 2000 e 2013 foram desmatados 222.249 km2, extensão que equivale ao território do Reino Unido. Clique aqui para fazer o download gratuito.

A reportagem foi publicada por ISA Instituto Sócio Ambiental, 05-10-2015.

Deforestación en la Amazonía (1970-2013) analisa as tendências históricas e recentes do desmatamento ocorrido em todos os países da região amazônica e conclui que o desmatamento acumulado até 2013 corresponde a 13,3% da cobertura florestal original da Amazônia, estimando que a maior perda de floresta (9,7%) ocorreu principalmente entre 1970 e 2000, enquanto que entre 2000 e 2013 a perda ficou em 3,6%.

A tendência de desaceleração do desmatamento que se apresentou no intervalo de treze anos – de 2000 a 2013 – tem clara correlação no Brasil, Bolívia e Equador. Na Colômbia, Peru, Suriname, Guiana Francesa e Guiana houve aumento em períodos intermediários ou evidências de estabilização. O único país que mostra uma tendência oposta é a Venezuela, onde se evidencia a aceleração na perda florestal.

As atividades agropecuárias e as obras de infraestrutura como estradas e hidrelétricas, estão entre os fatores que exercem maior pressão sobre as florestas de toda a região. Entretanto, para cada país existem pressões e ameaças específicas tais entre as quais se podem citar a mineração ilegal, a exploração petroleira e os cultivos ilícitos, entre outros.

Desmatamento na Amazônia, por país (em km2)

O estudo alerta também para a forte pressão existente sobre as nascentes das grandes bacias hidrográficas que estão localizadas nos países andinos, em consequência de diferentes atividades econômicas que resultam na alteração do uso do solo e na contaminação das águas. Sobre este aspecto, a Raisg se propôs a estudar com mais profundidade esta situação, porque se constitui em uma grande ameaça para a manutenção das florestas, da água que mantém os rios e sua fauna, assim como das populações humanas que delas dependem.

Os dados da publicação foram obtidos pelos sócios da Raisg mediante a análise de imagens de satélite combinada com análises geográficas em sistemas georreferenciados. O emprego de uma metodologia padronizada permitiu fazer análises em nível regional sem deixar de lado as diferenças nacionais.

A maior transformação das florestas amazônicas e o subsequente desmatamento aconteceu na década de 1970, impulsionados por políticas governamentais de modernização da infraestrutura e de promoção da expansão agrícola e da mineração. Isto é o que se depreende da revisão dos padrões de assentamento pré-coloniais e da análise dos movimentos contemporâneos de ocupação da Amazônia contidos neste estudo.

Entre os destaques mais importantes estão:

Na Amazônia boliviana a perda de florestas alcançou cerca de 10 mil km2 entre 2000 e 2013. As três causas diretas principais são a pecuária, a agricultura mecanizada e a agricultura de pequena escala (Pág 14).

Na Amazônia brasileira o ritmo de desmatamento diminuiu a partir de 2006. Mesmo assim, entre 2000 e 2013 se perderam 174 mil km2 de florestas, ou seja, 5% da superfície florestal original. Esta perda está associada principalmente à agricultura e pecuária (Pág. 16).

Na Amazônia colombiana o desmatamento teve aumento importante no período 2005-2010, quando se perderam 6.167 km2. De 2010 a 2013 registrou-se uma perda de 1.684 km2. As principais pressões são a expansão da fronteira agrícola e a mineração ilegal (Págs. 23).

A Amazônia equatoriana apresenta a segunda maior perda proporcional acumulada de florestas na região, com um desmatamento de 10,7% de suas florestas originais. O petróleo é e vai continuar sendo a principal ameaça (Pág. 28).

A Amazônia peruana apresenta a quarta maior perda acumulada de florestas na região (9,1%) entre 2010 e 2013. Agricultura e pecuária são importantes causas diretas de desmatamento, mas a partir de 2009 as plantações agroindustriais de cacau e palma são ameaças crescentes, já que demandam de concessões cada vez maiores sobre floresta primária (Págs. 32 a 35).

Na Amazônia venezuelana, ao contrário da tendência regional, a perda de floresta aumentou progressivamente entre 2005 e 2013. No total do território amazônico venezuelano, a extensão desmatada é relativamente baixa (3,3%), mas preocupa a manutenção do aumento observado no estudo. Entre as causas, a mineração ilegal aparece como uma das principais ameaças à floresta (Págs. 36 y 39).

Na Amazônia do Suriname, Guiana e Guiana Francesa a demanda por mais energia para sustentar o crescimento econômico é uma ameaça. Juntas, as três Guianas perderam 3,2% de suas florestas. Entre 2000 e 2013, a Guiana e a Guiana Francesa apresentaram taxas maiores de perdas (1%) que o Suriname (0,4%) (Pág. 41).

A publicação está em espanhol em versão impressa e digital (www.raisg.socioambiental.org) e até novembro terá também versões em português e inglês.

Sobre a Raisg

A Raisg é uma iniciativa regional amazônica que desde 2007 vem gerando informação georreferenciada e contribuindo para dar visibilidade à situação socioambiental da Amazônia com o objetivo de fortalecer a governança socioambiental da região.

A Rede se propõe a criar um ambiente propício para o desenvolvimento de longo prazo, acumulativo e descentralizado, que permita compilar, construir e publicar informações e análises sobre a dinâmica contemporânea da Amazônia.

Atualmente a Raisg é integrada por instituições de seis dos nove países amazônicos: FAN (Bolívia), ISA e Imazon (Brasil), Gaia Amazonas (Colômbia), EcoCiencia (Equador), IBC (Peru) e Provita (Venezuela).