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07 Junho 2019

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo João 20,19-23 que corresponde à Solenidade do Pentecostes ciclo C, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Ouça a leitura do Evangelho:

Eis o texto

A nossa vida é feita de múltiplas experiências. Satisfação e decepções, conquistas e fracassos, luzes e sombras entrelaçam na nossa vida diária, enchendo-nos de vida ou sobrecarregando o nosso coração.

Mas com frequência não somos capazes de perceber tudo o que há em nós mesmos. O que captamos com a nossa consciência é apenas uma pequena ilha no mar muito mais amplo e profundo da nossa vida. Por vezes nos escapa, inclusive, o mais essencial e decisivo.

No seu precioso livro Experiência Espiritual, K. Rahner recorda-nos com vigor essa “experiência” radicalmente diferente que se dá sempre em nós, embora passe muitas vezes despercebida: a presença viva do Espírito de Deus que trabalha dentro de nosso ser.

Uma experiência que permanece, quase sempre, encoberta por muitas outras que ocupam nosso tempo e a nossa atenção. Uma presença que fica como reprimida e oculta sob outras impressões e preocupações que se apoderam do nosso coração.

Quase sempre nos parece que o grande e o gratuito devem ser sempre algo pouco frequente, mas, quando se trata de Deus, não é assim. Em certos setores do cristianismo houve uma tendência a considerar essa presença viva do Espírito como algo mais reservado a pessoas escolhidas e selecionadas. Uma experiência mais apropriada para crentes privilegiados.

Rahner recordou-nos que o Espírito de Deus está sempre vivo no coração do ser humano, pois o Espírito é simplesmente a comunicação do mesmo Deus no mais íntimo da nossa existência. Esse Espírito de Deus se comunica e se dá até mesmo onde aparentemente nada acontece. Ali onde se aceita a vida e se cumpre com simplicidade a obrigação pesada de cada dia.

O Espírito de Deus continua trabalhando silenciosamente no coração das pessoas comuns e simples, em contraste com o orgulho e as pretensões daqueles que se sentem na posse do Espírito.

A festa de Pentecostes é um convite para procurar a presença do Espírito de Deus em todos nós, não para apresentá-lo como um troféu que temos em relação aos outros que não foram escolhidos, mas para acolher a esse Deus que está na origem de toda a vida, por menor e pobre que nos possa parecer.

O Espírito de Deus pertence a todos, porque o amor imenso de Deus não pode esquecer nenhuma lágrima, nenhum lamento nem esperança que brota do coração de seus filhos e filhas.

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