Francisco: o sucesso, o poder e o dinheiro escravizam, não libertam

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09 Agosto 2018

“Pensem bem nisto: libertar o povo do Egito não deu muito trabalho para Deus, que fez isso como sinal de poder e amor; o grande trabalho de Deus foi tirar o Egito do coração do povo, ou seja, remover a idolatria, e talvez continue trabalhando para tirá-la de nosso coração, tirar esse Egito que carregamos dentro de nós, a fascinação da idolatria”.

O Papa Francisco continua seu ciclo de catequese sobre os Dez Mandamentos, na audiência geral das quartas-feiras, a partir do cordeiro de ouro que o povo hebreu construiu no deserto enquanto esperava a volta de Moisés, “símbolo de todos os desejos que dão a ilusão da liberdade e, pelo contrário, escravizam, porque o ídolo sempre escraviza”. Francisco enfatizou que “a natureza humana, para fugir da precariedade, busca uma religião ‘faça você mesmo’”, busca “sucesso, poder e dinheiro”, que, como todos os ídolos, são “míseros calmantes”. Ao contrário, Jesus Cristo, “que se fez pobre por nós”, demonstra que “reconhecer a própria debilidade não é a desgraça da vida humana”, mas, pelo contrário, que “pela porta da fraqueza entra a salvação de Deus”. Jorge Mario Bergoglio invocou a Edith Stein, padroeira da Europa, para que “guarde a Europa lá do céu”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 08-08-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

O Papa começou sua reflexão a partir do “ídolo por excelência: o cordeiro de ouro”. O episódio do livro do Êxodo “tem um contexto preciso: o deserto, onde o povo espera por Moisés, que subiu o monte para receber as instruções de Deus”, recordou Francisco. O deserto “é um lugar onde reinam a precariedade e a insegurança, onde falta água, comida e abrigo. O deserto é uma imagem da vida humana, cuja condição é incerta e sem garantias invioláveis”. Então, o povo “cai na armadilha” e “pede um deus invisível” para “poder se identificar e orientar: dizem a Arão: “Faça [aparecer] para nós um deus que nos guie, faça-nos um chefe, um líder. A natureza humana – pontuou Bergoglio –, para fugir da precariedade, a precariedade do deserto, busca uma religião “faça você mesmo”. Se Deus não se mostra, criaremos um deus “sob medida”, mas o ídolo, prosseguiu, citando a encíclica Lumen fidei, “é um pretexto para se colocarem no centro da realidade, na adoração da obra das próprias mãos”.

O cordeiro de ouro “é símbolo de riqueza, sucesso, poder e dinheiro. Estes são os grandes ídolos, são as tentações de sempre! Eis aqui o que é o cordeiro de ouro: o símbolo de todos os desejos que dão a ilusão da liberdade e que, pelo contrário, escravizam, porque o ídolo sempre escraviza”, insistiu o Papa, fazendo uma comparação com “o fascínio da serpente que paralisa o passarinho, o passarinho fica sem poder se mover e a serpente o pega”.

Arão não soube se opor, “mas – lembrou Francisco – tudo nasce da incapacidade de confiar antes de mais nada em Deus, de colocar n’Ele nossas inseguranças, de deixar que seja Ele que dê verdadeira profundidade aos desejos de nosso coração. Isto permite sustentar também a fraqueza, a incerteza e a precariedade. Sem o primado de Deus se cai facilmente na idolatria e nos conformamos com tristes calmantes. Pensem bem nisso: libertar o povo do Egito não deu muito trabalho para Deus, que o fez como sinal de poder e amor; o grande trabalho de Deus foi tirar o Egito do coração do povo, ou seja, remover a idolatria, e talvez continue trabalhando para tirá-la de nosso coração, tirar esse Egito que carregamos dentro de nós, a fascinação da idolatria.

Quando se acolhe o Deus de Jesus Cristo, que de rico se fez pobre por nós, se descobre então que reconhecer a própria fraqueza não é a desgraça da vida humana, mas a condição para se abrir a Aquele que é verdadeiramente forte. Então, pela porta da fraqueza entra a salvação de Deus, é na força da própria insuficiência que o homem se abre à paternidade de Deus”, e em “Cristo nossa fragilidade já não é uma maldição, mas um lugar de encontro com o Pai e fonte de uma nova força do alto”.

No final da catequese, o Papa recordou junto aos peregrinos italianos que hoje é a festa de São Domenico de Guzmán, fundador da Ordem dos pregadores, e acrescentou: “na Europa hoje se celebra a festa de Santa Teresa Benedita da Cruz, Edith Stein”, que faleceu nos campos de concentração de Auschwitz em 9 de agosto de 1942. “Mulher de coerência, mulher que buscava a Deus com honestidade e amor, mulher mártir de seu povo hebraico e cristão: que ela, padroeira da Europa – concluiu – reze e guarde a Europa lá do céu”.

No final da audiência na sala Paulo VI, o Papa saudou o famoso cantor britânico Gordon Summer, também conhecido por "Sting", que esteve presente durante a catequese com sua esposa Trudie Styler.

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