Depois de peregrinação do Papa ao CMI. Tveit: "Nossa unidade é uma boa notícia para o mundo"

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26 Junho 2018

"Não procuramos uma unidade com fim em si mesma. Queremos estar unidos porque acreditamos que as Igrejas possam oferecer uma contribuição credível de unidade em um tempo de medos, populismo, xenofobia, conflito, divisão e individualismo. Queremos mostrar que essa adesão, umas às outras, é uma boa notícia para o mundo de hoje."

Entrevista com o rev. Olav Fykse Tveit, secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas, poucos dias depois da histórica visita do Papa Francisco, em Genebra, na sede do CMI.

A entrevista é de M. Chiara Biagioni, publicada por Sir, 25-06-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Foi um dia maravilhoso. Para mim e para todas as Igrejas. Foi a manifestação de que existe um único movimento ecumênico, e que a Igreja Católica e a liderança do Papa Francisco estão empenhados seriamente nessa busca da unidade juntos."

Assim respondeu o rev. Olav Fykse Tveit, secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Poucos dias depois da passagem de Francisco em Genebra, os locais do centro ecumênico ainda estão se esvaziando. A presença do Papa deixou uma marca. "Foi - acrescenta - uma experiência muito forte para o CMI, para os membros do nosso Centro Ecumênico para toda a equipe, comemorar estes 70 anos de nossas vidas juntos com o Papa Francisco. Foi uma afirmação significativa do trabalho realizado nestes anos".

Eis a entrevista.

Rev. Tveit, o que o impressionou mais em Francisco?

Ele mostra muito claramente o seu empenho pessoal e também o seu amor pelas relações ecumênicas. Também impressiona seu forte apelo para sermos mais honestos e mais profundamente empenhados na nossa busca da unidade. Ele também dá um forte encorajamento para ver este chamado à unidade como um chamado para uma missão comum: dar juntos testemunho do Evangelho ao mundo. É um conceito muito importante para nós e que foi o foco de uma recente conferência realizada na Tanzânia, onde estava presente também uma delegação da Igreja Católica. Nós conversamos muito sobre como doar o Evangelho em um mundo secularizado. Nós temos uma tarefa que nos une e até mesmo o Papa Francisco está ciente disso e vai nessa direção.
Mas também diz que encontraremos a nossa unidade apenas na medida em que caminharemos juntos. E isso corresponde ao que também as nossas Igrejas acreditam.

Teve algo - uma palavra, um gesto específico - que lhe causou maior impressão?

Acredito que todos nós pudemos sentir como o Papa Francisco queria essa visita. E ele o afirmou de muitas maneiras. Era algo que o motivava realmente: mostrar seu empenho com a unidade das Igrejas. Vimos isso na forma como ele respondia ao que lhe dizíamos, nos seus discursos públicos, mas também nas conversas pessoais. Também me impressionou o seu grande interesse em apoiar e incentivar qualquer iniciativa direcionada a trazer a paz ao mundo, promover os direitos, defender a dignidade de cada ser humano. Foi um evento incrível aqui, em Genebra, que atraiu a imprensa local e internacional. Uma cobertura da mídia que certamente demonstra o interesse pelo que o Papa Francisco faz e diz, mas que também mostrou ao mundo que o movimento ecumênico e o CMI fazem no mundo. Também uma oportunidade para incentivar as nossas Igrejas locais a fazer mais pela unidade, pela justiça e pela paz em seu contexto e um impulso para trabalhar juntos.

O senhor disse que esta visita foi um marco na história do movimento ecumênico, mas também disse: nós não vamos parar por aqui, vamos seguir em frente. De que forma pretendem agora continuar essa colaboração?

Sim, foi realmente um marco que colocamos no nosso caminho. Este marco indica o percurso feito. E, então, agradecemos a Deus e também àqueles que vieram antes de nós e tornaram tudo isso possível hoje. Mas também aponta para o caminho futuro que ainda temos que percorrer, porque já vimos o quanto é importante que as Igrejas estejam juntas para levar o Evangelho ao mundo, porque só na unidade a sua mensagem pode ser credível. É importante compreender que há muita coisa que podemos aprender uns dos outros, e que devemos ir ao encontro de quem mais necessita da ajuda das nossas Igrejas. O que buscamos não é uma unidade com fim em si mesma.

Queremos estar unidos porque acreditamos que as igrejas possam oferecer uma contribuição credível de unidade em um tempo de medos, populismo, xenofobia, conflito divisão e individualismo. Queremos mostrar que essa adesão, umas às outras, é uma boa notícia para o mundo de hoje.

Então, depois de Genebra, quais são as próximas etapas?

Existem diferentes níveis em que continuar o nosso trabalho. O Comitê conjunto certamente continuará seu trabalho com uma série de encontros já programados. Também organizamos uma importante Conferência em Roma, em setembro, sobre xenofobia, racismo e populismo. Existem também várias iniciativas de comparação que irão continuar sobre missão e teologia. Há um importante documento sobre a compreensão da Igreja, que foi resultado de um estudo de longo e minucioso, que nós discutimos e agora estamos reunindo as respostas de nossas Igrejas e da Igreja Católica. E depois vamos continuar a trabalhar juntos pelos migrantes e refugiados, pela justiça, pela paz, nos diferentes contextos em que estamos engajados no Oriente Médio, no Sudão do Sul, no Congo, na Colômbia e na Coreia. Há muitas coisas para fazer juntos.

Qual foi a última coisa que disse ao papa Francisco antes de partir?

Eu disse a ele que teria pedido as bênçãos de Deus para o seu trabalho e garanti a ele que iríamos rezar por ele.

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