As ''indignadas'' irmãs carmelitas descalças contra a sentença de estupro

Foto: Pixabay

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30 Abril 2018

A indignação atravessou até os poderosos muros de um convento. A sentença do Tribunal de Pamplona, que condenou um grupo de cinco homens por abuso e não por violência, durante as festas de San Firmín de dois anos atrás, continua a indignar a Espanha. O ponto crucial está no fato de se ter rebaixado a agressão sexual de cinco rapazes (a “manada”) contra uma jovem de 18 anos, que também foi gravada em um vídeo compartilhado no WhatsApp.

A reportagem é de Francesco Olivo, publicada por La Stampa, 29-04-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A política, praticamente sem exceção, se aproveita do protesto, irritando o Judiciário, as praças fervem. Nesse sábado, uma nova manifestação lotou Pamplona pelo terceiro dia consecutivo, enquanto a Prefeitura de Barcelona rejeitou a sentença com uma votação sem oposições.

O abaixo-assinado que pede para remover os juízes reuniu 1,2 milhão de assinaturas em poucas horas. O “MeToo” ibérico já tem dimensões enormes.

No Facebook, podem-se ler posts de raiva, mas há um que quebrou todos os recordes de compartilhamentos. Quem o assina é Patricia Noya, freira de clausura do convento das Carmelitas Descalças Hondarribia, no País Basco.

A Ir. Patricia, com um toque de autoironia, mostrou a proximidade humana à vítima, apesar da distância, por assim dizer, secular:

“Nós vivemos em clausura, usamos um hábito quase até os tornozelos, não saímos de noite (só para as Urgências [do hospital]), não vamos a festas, não ingerimos álcool e fizemos voto de castidade. É uma opção que, [...] paradoxalmente, nos faz mais livres e felizes do que a muitxs. E, por ser uma escolha livre, defenderemos com todos os meios ao nosso alcance (este [o Facebook] é um) o direito de todas as mulheres de fazer livremente o contrário sem serem julgadas, violentadas, amedrontadas, assassinadas ou humilhadas por isso”.

A batalha legal não parou com a sentença. A Procuradoria de Navarra anunciou que vai apelar. Depois de alguma hesitação, a mesma escolha foi feita pela vítima. Mas as salas do tribunal navarro já são marginais em comparação com a onda de polêmicas e manifestações.

O ministro da Justiça, Rafael Catalá, depois de pedir respeito pelas decisões do Judiciário, pediu que se puna o juiz que pediu a absolvição dos acusados. Assim, as associações da categoria rejeitaram a “ingerência” do governo. Mais complicado será parar as carmelitas descalças e indignadas.

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