Estudo aponta para o Brasil como a pior democracia da América Latina

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Por: Lara Ely | 28 Outubro 2017

A democracia brasileira é a que tem o pior funcionamento entre os 18 países pesquisados para a edição 2017 do Latinobarómetro, levantamento feito por uma ong chilena sobre o índice de satisfação das populações com a situação política de seus países. De acordo com o estudo, apenas 13% dos brasileiros consultados se declararam satisfeitos com o funcionamento da democracia, último posto no ranking. Atrás até dos 22% de satisfação na Venezuela, que a maior parte dos governos e da mídia ocidental classifica como ditadura.

Crédito da imagem: Latino Barômetro

A ONG chilena que faz, desde 1995, uma consistente avaliação dos humores dos latino-americanos. O estudo aponta que a satisfação com a democracia está altamente correlacionada com a aprovação do governo porque é uma variável de desempenho. Ela difere do apoio à democracia que implica apoio ao tipo de regime, por isso a satisfação é um indicador que mostra muito mais sensível e mostra muito mais variação ano após ano do que o indicador do regime político.

Em dez países, menos de um terço da população está satisfeito com a democracia. Apenas três países: Uruguai (57%), Nicarágua (52%) e Equador (51%) há uma maioria satisfeita com esta forma de governo. No Brasil, por exemplo, 62% consideram a democracia como o melhor sistema de governo, porcentagem que, no conjunto da América Latina, sobe para 70%.

O apoio à democracia, aliás, vem subindo sistematicamente, desde o piso mais baixo encontrado (30% em 2001, penúltimo ano do governo Fernando Henrique Cardoso). Agora é de 43%, 11 pontos acima de 2016. O descontentamento, que é geral na região, é, portanto, com o funcionamento do modelo, não com ele propriamente dito. No quesito apoio ao governo, a queda começou em 2013, o ano das mobilizações populares. Entre 2012 e 2013, o apoio ao governo (então de Dilma Rousseff) caiu 11 pontos, para 56%. Depois foi caindo para 29%, 22%, até chegar aos 6% de 2017.

Segundo mostrou reportagem da Folha de São Paulo, a pesquisa também ajuda a entender por que Luiz Inácio Lula da Silva lidera a corrida eleitoral para 2018: o pico de prestígio do governo foi exatamente em 2010 (86%), seu último ano na Presidência, o que lhe permitiu eleger Dilma. Se não confia no governo atual, o brasileiro tampouco confia nos seus conterrâneos: só 7% dizem ter confiança na maioria dos demais brasileiros, de novo o último lugar na tabela, a metade do resultado médio da América Latina, e longe dos 23% do Chile, primeiro colocado nesse quesito. Das instituições, a mais confiável para os brasileiros é a Igreja: 69% confiam nela. Para as demais, as porcentagens são as seguintes: Forças Armadas (50%); polícia (34%); Justiça Eleitoral (25%); Judiciário (27%); governo, como instituição, não personalizada (8%, último lugar no ranking); Parlamento (11%, penúltimo lugar, superando apenas o Paraguai, com 10%); partidos políticos (7%, também no último lugar).

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