“A podridão envernizada” dos cristãos corruptos

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Por: Jonas | 13 Novembro 2013

Três dias após ter afirmado, dirigindo-se em especial aos “devotos” da corrupção que anula toda a dignidade, o papa Francisco expressou uma nova e forte advertência para todos aqueles que são benfeitores da Igreja e, ao mesmo tempo, roubam em outros âmbitos. O Pontífice deu um seco “não” aos cristãos de vida dupla.

 
Fonte: http://goo.gl/AqsRJI  

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 11-11-2013. A tradução é do Cepat.

Francisco, durante a Missa celebrada nesta manhã, na Casa Santa Marta, insistiu – segundo apontou a Rádio Vaticana – que todos os devotos devem se reconhecer “pecadores”, mas é preciso estar atentos para não chegar à corrupção.

Os que não se arrependem “simulam ser cristãos”, disse Francisco, e isto prejudica muitíssimo a Igreja. O Papa partiu da exortação do Senhor para perdoar o irmão arrependido, que aparece no Evangelho de hoje: Jesus “não se cansa de perdoar e nos aconselha” que façamos o mesmo. Quando Jesus pede que se perdoe sete vezes ao dia, observou o Bispo de Roma, “faz um retrato de si mesmo”. Jesus, prosseguiu, “perdoa”, mas nesta passagem evangélica também diz: “Cuidado com os que causam escândalos”. Ele não fala de pecado, mas de escândalo, que é outra coisa. E acrescenta que “é melhor para ele pendure que uma pedra de moinho ao pescoço e se jogue ao mar, do que escandalizar a um destes pequenos”.

Pecar e escandalizar. Francisco refletiu sobre as diferenças entre estas duas ideias: “A diferença é que quem peca se arrepende, pede perdão, sente-se frágil, sente-se filho de Deus, humilha-se, e pede precisamente a salvação de Jesus. No entanto, aquele outro que escandaliza, que coisa escandaliza? Não se arrepende. Continua pecando, mas finge ser cristão: a vida dupla. E a vida dupla de um cristão faz tanto mal, tanto mal. ‘Mas, eu sou um benfeitor da Igreja! Meto a mão no bolso e dou à Igreja’. Entretanto, com a outra mão, rouba: o Estado, os pobres... rouba. É um injusto. Esta é a vida dupla. E isto merece – foi dito por Jesus, não sou eu quem digo – que pendure no pescoço uma pedra de moinho e se jogue ao mar. Não fala de perdão, aqui”.

Não fala de perdão porque “esta pessoa engana”, e onde “está o engano, não está o Espírito de Deus. Esta é a diferença entre o pecador e o corrupto”. O Papa, em seguida, enfatizou que quem leva uma vida dupla “é um corrupto”.

Por outro lado, a situação é diferente para os que pecam e gostariam de não pecar, mas são fracos. Estas pessoas “caminham para o Senhor” e pedem perdão: “esse o Senhor deseja! Acompanha-o, e está com ele!”, explicou Francisco.

Francisco também disse: “Nós devemos nos dizer pecadores, sim, todos, né?; todos somos. Corruptos, não. O corrupto está fixo em um estado de suficiência, não sabe o que é a humildade. Jesus, para estes corruptos, dizia-lhes: ‘A beleza de ser sepulcros caiados, que parecem belos, por fora, mas dentro estão cheios de ossos de mortos e de putrefação’. E um cristão que se vangloria de ser cristão, mas que não faz vida de cristão, é um destes corruptos”.

O Pontífice recordou que “todos nós conhecemos alguém que se encontra nesta situação e quanto mal provocam na Igreja! Cristãos corruptos, sacerdotes corruptos... Quanto dano fazem à Igreja! Porque não vivem no Espírito do Evangelho, mas no espírito da mundanidade”.

Em seguida, o Pontífice citou São Pedro, que, na Carta aos Cristãos de Roma, disse: “Não vos conformeis com este mundo”. E mais, precisou Francisco, o “texto original é muito mais forte, porque exorta a não entrar nos esquemas deste mundo, nos parâmetros deste mundo”. Esquemas, insistiu, que “são esta mundanidade que o leva a vida dupla”.

Francisco, depois, voltou a sublinhar com ênfase: “Uma podridão vernizada: esta é a vida do corrupto. E, para estes, Jesus não dizia simplesmente “pecadores”, dizia-lhes: “hipócritas”. E que belo aquele outro, não? Se cometer um erro sete vezes ao dia contra ti, e sete vezes vier a ti dizendo: “Estou arrependido, sou pecador, será perdoado”. É o que Ele faz com os pecadores”.

Jesus não se cansa de “perdoar, somente com a condição de não querer levar esta vida dupla, de irmos a Ele arrependidos: ‘Perdoa-me, Senhor, sou pecador!’. ‘Todavia, siga adiante, siga adiante: eu o sei’. E assim é o Senhor”. O Papa concluiu a homilia pedindo “a graça de nos reconhecermos pecadores: somos pecadores. Pecadores, sim. Corruptos, não”.

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