Francisco começa a catequese sobre a família de Nazaré, “periferia mal falada”

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Por: André | 18 Dezembro 2014

O Papa Francisco iniciou um ciclo de catequese dedicado à família, em vista do Sínodo de 2015, a partir da Santa Família onde Jesus nasceu na “periferia mal falada” de Nazaré. Francisco concluiu a Audiência Geral na Praça de São Pedro com uma oração a Deus para que, após os massacres ocorridos nos últimos dias no Paquistão, Sidney e Iêmen, “converta os corações dos violentos que não se detêm nem sequer diante das crianças”. Para Francisco, no seu aniversário de 78 anos, felicitações, uma torta com as cores da Argentina e milhares de dançarinos de tango.

 
Fonte: http://bit.ly/1BXRWUV  

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada no sítio Vatican Insider, 17-12-2014. A tradução é de André Langer.

“O Sínodo dos Bispos sobre a Família, que aconteceu em outubro passado – disse Jorge Mario Bergoglio –, foi a primeira etapa de um caminho, que se concluirá no próximo outubro com a realização de outra assembleia sobre o tema ‘Vocação e missão da família na Igreja e no mundo’. A oração e a reflexão que devem acompanhar este caminho envolvem todo o Povo de Deus. Gostaria que também as meditações habituais das audiências das quartas-feiras se inserissem neste caminho comum. Por isso, decidi refletir com vocês, neste ano, precisamente sobre a família, sobre este grande presente que o Senhor deu ao mundo desde o princípio, quando conferiu a Adão e Eva a missão de se multiplicar e encher a terra. Esse presente que Jesus confirmou e selou no seu Evangelho”.

Jesus, que assinala um “novo começo da história universal do homem e da mulher”, “nasce em uma família. Ele podia vir... como um guerreiro, um imperador... Não, não: vem como um filho... em uma família. Isto é importante; olhar no presépio esta cena tão bela”. Deus, com a encarnação, “escolheu nascer em uma família humana, que Ele mesmo formou. Ele formou em uma vila remota da periferia do Império Romano. Não em Roma, que era a capital do Império, não em uma grande cidade, mas em uma periferia quase invisível, bastante mal falada. Recordam-no também os Evangelhos, quase como um modo de dizer: ‘De Nazaré pode vir alguma coisa de bom?’. Talvez, em muitas partes do mundo, nós mesmos ainda falamos assim, quando ouvimos o nome de qualquer lugar periférico de uma grande cidade. Bem, justamente dali, daquela periferia do grande Império, começou a história mais santa e melhor, aquela de Jesus entre os homens! E ali se encontrava esta família. Jesus – continuou o Papa – permanecer naquela periferia por trinta anos. O Evangelista Lucas resume este período assim: Jesus “era seu submisso [isso é, a Maria e José]. E alguém poderia dizer: “Mas este Deus que vem nos salvar, perdeu 30 anos ali, naquela periferia mal falada?”. Perdeu 30 anos! Ele quis isso. O caminho de Jesus estava naquela família.”

Nestes 30 anos, “não se fala de milagres ou curas, de pregações – não fez nenhuma naquele tempo – de multidões que se reúnem; em Nazaré, tudo parecia acontecer “normalmente”, segundo os costumes de uma piedosa e trabalhadora família israelita: trabalhava-se, a mãe cozinhava, fazia todas as coisas da casa, esticava as camisas… todas as coisas da mãe. O pai, carpinteiro, trabalhava, ensinava o filho a trabalhar. Trinta anos. ‘Mas que desperdício, padre!’. Os caminhos de Deus são misteriosos. Mas aquilo que era importante ali era a família! E isto não era um desperdício! Eram grandes santos: Maria, a mulher mais santa, imaculada, e José, o homem mais justo… A família”.

“A família de Nazaré nos empenha a redescobrir a vocação e a missão da família, de cada família. E como aconteceu naqueles trinta anos em Nazaré, assim pode acontecer também para nós: fazer tornar normal o amor e não o ódio, fazer tornar comum a ajuda mútua, não a indiferença ou a inimizade.” Esta, concluiu Bergoglio, “é a grande missão da família: dar lugar a Jesus que vem, acolher Jesus na família, na pessoa dos filhos, do marido, da esposa, dos avós… Jesus está ali. Acolhê-Lo ali, para que cresça espiritualmente naquela família. Que o Senhor nos dê esta graça nestes últimos dias antes do Natal”.

Ao término da audiência, o Papa Francisco fez um apelo: “Agora gostaria de rezar junto com vocês pelas vítimas dos desumanos atos terroristas ocorridos nos dias passados na Austrália, no Paquistão e no Iêmen. Que o Senhor acolha na sua paz os defuntos, conforte os familiares e converta os corações dos violentos que não param nem mesmo diante de crianças. Rezemos um Pai-Nosso pedindo esta graça”.

No dia do seu 78º aniversário, que foi nesta quarta-feira, Jorge Mario Bergoglio foi recebido, na sua chegada no jeep para a habitual saudação aos fiéis antes da catequese, com felicitações em italiano, inglês e espanhol. Um grupo de fiéis, com uma letra cada qual, compôs a frase Feliz Aniversário. E alguns seminaristas argentinos levaram ao Papa um bolo com as cores branca e azul de seu país de origem, assim como o tradicional mate argentino, que Bergoglio tomou após soprar as velas.

O esmoleiro do Papa, o monsenhor polonês Konrad Krajewski, levou oito sem tetos à audiência, que deram de presente ao Pontífice alguns girassóis. À tarde, chegou da Espanha um caminhão com quase uma tonelada de frangos para serem doados aos pobres.

Estavam presentes na audiência, com um foulard branco, os dançarinos de tango que, por iniciativa de Cristina Camorani, vieram a Roma para dançar uma milonga em homenagem ao Papa. Jorge Mario Bergoglio desejou um “bom espetáculo” para uma praça “dois por quatro”, referência aos passos da música argentina de que ele tanto gosta (e que dançava na sua juventude), congratulando-se, em espanhol, com o fato de que “sopra um pouco de vento do Pampa também aqui”. A música e a dança de mais de 2.000 pessoas começou depois da audiência na Praça Pio XII, atrás da colunata de Bernini.

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