Pequim vira "mar de máscaras" após alerta vermelho de poluição

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10 Dezembro 2015

A capa de poluição em Pequim se faz sentir desde os primeiros momentos do dia. Alguns se levantam com tosse e outros com dor de cabeça, ou ainda coceira nos olhos. Os mais desafortunados, com tudo ao mesmo tempo. O instinto pede para conter a respiração, algo impossível. O ar parece pesado, mastigável. Tem um odor característico, acre, de carvão, metálico, de coisas queimadas.

A reportagem é de Macarena Vidal Liy, publicada por El País, 10-12-2015.

Uma cor cinza doentia que cobre tudo --céu, rua, árvores-- se transforma em um grande prestidigitador que faz desaparecer edifícios e converte a paisagem urbana em um cenário de filme enevoado: para os otimistas, "Blade Runner"; para os veteranos de muitos invernos pequineses, o Mordor de "O Senhor dos Anéis".

Apesar de tudo, em dias como este, até agora muitos pequineses simplesmente encolhiam os ombros, maldiziam a "wuran kongqi" (poluição) e saíam à rua como em qualquer dia, sem precauções especiais. Na semana passada, quando se impôs um alerta laranja --o segundo nível mais alto na escala de quatro--, usar máscara ainda era algo de "laowais", de estrangeiros.

Embora o nível de contaminação chegasse a 632 --25 vezes mais do que recomenda a OMS (Organização Mundial de Saúde)--, os que a usavam o faziam mais para se proteger do frio do que das perigosas partículas PM2,5, cujo diâmetro é inferior a 2,5 mícrons.

Nesta terça-feira (8), a poluição era notavelmente inferior a então, um nível 350, ou quase a metade de uma semana atrás. Mas Pequim se transformou em uma maré de máscaras. Aposentados que iam às compras com protetores cirúrgicos, guardas de trânsito em serviço, estudantes que optavam por desenhos criativos.

Porque o alerta vermelho emitido pelo Departamento de Proteção do Meio Ambiente --o primeiro desde que o sistema foi implementado, em 2013-- não só fechou os colégios e reduziu o tráfego privado, impondo um sistema de alternância na circulação, de acordo com os números pares ou ímpares das placas. Também aconselha que as pessoas não saiam às ruas ou, caso o façam, usem máscaras de proteção.

"Muitos chineses somos assim. Hoje minha mãe me telefonou especialmente para me dizer que tome cuidado com a poluição. Mas na semana passada, como não foi emitido o aviso, nada. Os 'laobaixin' [cidadãos comuns], especialmente de certa idade, só reagem quando recebem instruções. E têm que ser instruções de uma autoridade oficial. Senão, não", explica, rindo, Xu Yin, de 34 anos.

É uma reação que foi constatada por Liam Bates, cofundador da empresa Origins, fabricante de purificadores e medidores da qualidade do ar. Em seu escritório em um "hutong" (rua estreita tradicional) em Beixinqiao, no centro de Pequim, não consegue atender a todos os pedidos. "Em uma semana vendemos mais que nos dois meses anteriores juntos."

Quando a poluição alcançou os níveis mais altos dos últimos dois anos, na semana passada, "as encomendas que recebemos eram sobretudo de estrangeiros. E embora agora haja menos poluição, como foi declarado o alerta vermelho os chineses começaram a comprar", conta Bates.

Mas nem todos os moradores tomam precauções contra uma poluição que, segundo um estudo da Berkeley Earth, causa a morte de 1,6 milhão de pessoas por ano na China.

Em uma esquina de uma concorrida área de restaurantes, Gao Xin, 30 anos, distribui publicidade de uma academia sem máscara nem proteção especial.
"Estou um pouco preocupado, percebo um pouco de tosse. Vou dar mais uma volta no quarteirão e pararei por hoje", comenta.

Em uma cafeteria, a cantora Xizi, 24, se alegra que as autoridades municipais tenham finalmente implantado o alerta.

"Tinham de fazê-lo não só hoje, mas também na semana passada, e em muitos outros dias em que também houve poluição." Em seu caso, as medidas tiveram um efeito que não esperava. "Vim de táxi de casa porque tinha um ensaio. Com pouco tráfego, um trajeto que normalmente teria levado uma hora durou só 20 minutos."

O alerta vermelho --que as autoridades explicam que é imposto não tanto pelo nível de poluição, mas pela duração: devem se prever pelo menos três dias seguidos com um nível superior a 200-- durará até o meio-dia de quinta-feira (10), quando o serviço meteorológico prevê que o vento dissipe a camada de sujeira atmosférica.

Com toda probabilidade, não será o último deste inverno: uma das principais causas de poluição na China é o uso de carvão na produção de eletricidade e nos sistemas de calefação.

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