Mensagem do Sínodo agradece às famílias pelo testemunho e pede abertura à Igreja

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20 Outubro 2014

Agradecendo-lhes pela sua "fidelidade, fé, esperança e amor", o Sínodo dos bispos divulgou uma mensagem às famílias cristãs nesse sábado, que também pede que a Igreja seja "uma casa com a porta sempre aberta na acolhida, sem excluir ninguém".

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada no sítio National Catholic Reporter, 18-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O texto curto de três páginas não resume as discussões dos cerca de 190 prelados que participam do Sínodo, mas traz uma abordagem lírica para a situação das famílias ao redor do mundo. Outro texto que resume tais discussões, conhecido como relatio, foi votado pelos prelados na noite desse sábado.

Delineando alguns dos problemas enfrentados pelas famílias modernas, a mensagem do Sínodo desse sábado de manhã descreve uma situação de "luz e sombra" diante das famílias em todo o mundo.

Centrando-se na imagem de Jesus que bate à porta de uma casa, a mensagem cita as palavras de Jesus no livro do Apocalipse: "Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo".

"Como costumava fazer durante os seus percursos ao longo das estradas da Terra Santa, entrando nas casas dos vilarejos", diz a mensagem, "Jesus continua passando ainda hoje pelas ruas das nossas cidades".

"Nas casas de vocês, experimentam-se luzes e sombras", continua a mensagem, "desafios exaltantes, mas, às vezes, também provas dramáticas. A escuridão torna-se ainda mais densa a ponto de se tornar treva, quando se insinua no próprio coração da família o mal e o pecado".

Reconhecendo o que chama de "grande desafio" da vida familiar, a mensagem diz que também há uma luz que emana das famílias cristãs.

"Há também a luz que, à noite, resplandece por trás das janelas das casas das cidades, nas modestas residências de periferia ou nos vilarejos e até mesmo nos barracos: ela brilha e aquece corpos e almas", afirma a mensagem. "Essa luz, no acontecimento nupcial dos cônjuges, se acende com o encontro".

O Sínodo dos bispos é um encontro global de prelados católicos no Vaticano, um dos dois convocados pelo Papa Francisco para 2014 e 2015. O Sínodo de 2014 começou no dia 5 de outubro e irá se concluir neste domingo, com a beatificação do Papa Paulo VI.

O Sínodo produziu manchetes mundiais na última segunda-feira, quando divulgou um documento de trabalho que resumia a sua primeira semana de discussões, que pedia que a Igreja ouvisse mais e aplicasse a misericórdia mais amplamente.

Grupos de trabalho

Nessa semana, os prelados se reuniram em 10 grupos de trabalho, divididos por língua, para discutir o documento e para submeter possíveis revisões. A versão final do documento, a relatio, foi objeto de votação dos prelados no sábado à tarde.

Lombardi disse no sábado que, dos cerca de 190 prelados que participam do Sínodo de 2014, 174 estavam presentes na manhã de sábado, quando o grupo votou pela aprovação da mensagem sinodal. Do total, 158 prelados votaram a favor da mensagem, disse Lombardi.

O cardeal italiano Gianfranco Ravasi, presidente da comissão para a mensagem do Sínodo, disse na coletiva desse sábado que a mensagem tinha um "estilo suave, um estilo light", ao contrário do texto da relatio, "que deverá ter um estilo mais teológico".

Quem também falou na coletiva de sábado foi o cardeal indiano Oswald Gracias, arcebispo de Bombaim; e o cardeal brasileiro Raymundo Assis, arcebispo de Aparecida.

Questionado sobre se a versão final da relatio teria uma abertura semelhante em termos de tom ao documento de trabalho inicial, Gracias disse que a versão final é "aberta" e "aceita a todos".

"Eu acho que é muito equilibrado", disse Gracias, que também atua como presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia. "Ele admite que não temos as respostas para todas as perguntas hoje... mas é um compromisso de que vamos continuar buscando um caminho pela frente, para encontrar uma pastoral para os problemas de hoje".

Gracias também abordou questões sobre como a versão de trabalho da relatio abordaria as pessoas gays, usando um tom de franqueza incomum, e perguntando se a Igreja as estava acolhendo na comunidade.

Perguntado incisivamente se as pessoas gays eram bem-vindas na Igreja, Gracias respondeu: "A resposta é um inequívoco 'sim'. É claro que elas são bem-vindas".

Gracias também disse que estava "feliz" com a versão final da relatio.

"Eu diria que sim. Eu me pronunciaria e votaria a favor", disse. "Nós poderíamos continuar por mais duas semanas aperfeiçoando-o, mas eu acho que está bom."

Assis, que também é presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, disse que a relatio final incorpora e respeita as revisões dos dez grupos de trabalho do Sínodo, mas também traz um tom positivo e acolhedor às pessoas de todo o mundo.

"É claro, não é o original", disse Assis. "É algo novo, mas há muitos dos pensamentos básicos nele".

Ravasi também chamou o documento final de "coral", dizendo que era "o fruto do trabalho dos pequenos grupos" que se reuniram em uma proposta final.

Diferentemente da versão de trabalho da relatio da segunda-feira, a mensagem do Sínodo desse sábado não aborda longamente muitos dos tópicos que geraram interesse nas discussões do Sínodo.

No entanto, ela afirma que a jornada da família "é, às vezes, um caminho íngreme, com dificuldades e quedas".

Nesse caminho, "sempre se tem a presença e o acompanhamento de Deus", continua o texto. "A família experimenta isso no afeto e no diálogo entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs."

A mensagem também menciona a questão da comunhão para as pessoas que se divorciaram e se casaram novamente sem obter a nulidade no contexto da comunidade eucarística.

"O vértice que reúne e resume todos os fios da comunhão com Deus e com o próximo é a Eucaristia dominical, quando, com toda a Igreja, a família se senta à mesa com o Senhor", afirma-se. "Na primeira etapa do nosso caminho sinodal, refletimos sobre o acompanhamento pastoral e sobre o acesso aos sacramentos dos divorciados em segunda união."

A mensagem termina com um pedido às famílias, dizendo que "nós, Padres Sinodais, pedimos-lhes que caminhem conosco rumo ao próximo Sínodo".

Concluindo com uma oração a Deus, "unindo-nos à Família de Nazaré", os membros pedem a Deus que dê a todos a capacidade de "ver florescer uma Igreja cada vez mais fiel e crível, uma cidade justa e humana, um mundo que ame a verdade, a justiça e a misericórdia".

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