Incêndios florestais elevam emissões a níveis incomuns em várias partes do globo

Foto: ClimaInfo | Plena Mata

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19 Agosto 2026

Monitoramento mostra que os Estados Unidos lideram a anormalidade no início de agosto; França também dispara em emissões com queimadas em 2026.

A informação é de Priscila Pacheco, publicada por Observatório do Clima, 05-08-2026.

As emissões provenientes de incêndios florestais estão muito acima do normal em pelo menos 13 regiões do planeta nos primeiros dias de agosto. Os dados são do monitoramento diário do Copernicus, serviço climático da União Europeia, que compara os registros atuais com a média dos últimos 23 anos. Estados Unidos lideram a anormalidade.

Nos EUA, os incêndios florestais estão emitindo, em média, 878 mil toneladas de carbono por dia. O volume é 180% superior à média para o período. Os estados de Washington, Oregon e Utah, no noroeste do país, registram emissões classificadas como extremamente incomuns.

Washington é o estado que mais emite carbono neste momento. Na sexta-feira (31/7), o Serviço Nacional de Meteorologia emitiu um alerta de Situação Particularmente Perigosa, reservado para as condições mais severas de incêndio. O órgão alertou que o primeiro dia de agosto poderia ser extremamente desafiador e perigoso no leste do estado devido às altas temperaturas, aos ventos fortes e à vegetação seca (combustível para o fogo).

“A seca — declarada no estado após um inverno quente e uma camada de neve reduzida — deixou a vegetação preparada para queimar”, afirmou a Nasa em publicação de 4 de agosto.

A fumaça deteriorou a qualidade do ar a níveis insalubres, espalhando-se por outros estados americanos e províncias canadenses. Os incêndios já destruíram centenas de estruturas e provocaram evacuações obrigatórias em Washington.

Segundo boletim publicado nesta quarta-feira (5) pelo Centro Nacional de Incêndios, há 97 incêndios ativos em todo o país, dos quais 94 são considerados de grande porte. As equipes de combate contam com o apoio de profissionais da Austrália e da Nova Zelândia e utilizam quatro aeronaves-tanque C-130, cada uma capaz de despejar mais de 11,3 mil litros de água em menos de cinco segundos.

Países como Haiti, Holanda e Irlanda também estão classificados com emissões extremamente incomuns. Na Holanda, um incêndio se alastrou por uma reserva natural no sul do país, que enfrenta condições de seca e ventos fortes.

No mês passado, os incêndios florestais no Canadá foram os que mais contribuíram para as emissões globais, segundo o Copernicus. As emissões chegaram a 2,48 milhões de toneladas de carbono por dia, volume 134% superior à média para o período. A magnitude só ficou abaixo da registrada em julho de 2023. Milhares de focos de incêndio contribuíram para o transporte de fumaça pelo Ártico canadense, Atlântico Norte e Estados Unidos.

Na Europa, a França também enfrentou uma temporada excepcional de incêndios. O país já registrou, no acumulado do ano, o maior volume de emissões por incêndios florestais de sua história, superando o recorde anterior, de 2022, após semanas de grandes queimadas. Em julho, as emissões ficaram 787% acima da média — quase nove vezes o valor esperado para o período — e foram classificadas pelo Copernicus como extremamente incomuns. Uma análise da Rede Mundial de Atribuição (WWA, na sigla em inglês) concluiu que as mudanças climáticas aumentaram a probabilidade de ocorrência de incêndios no país.

Segundo o Copernicus, 2026 vem se configurando como um dos anos mais severos em termos de incêndios florestais já registrados em partes da Europa.

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