Organizações cristãs mundiais: “Israel e EUA não podem criar devastação e chamar a isso paz”

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12 Março 2026

Algumas das principais organizações cristãs internacionais, incluindo o Conselho Mundial de Igrejas e a Federação Luterana Mundial, emitiram uma declaração conjunta em que classificam os ataques de Israel e dos EUA ao Irã como “ilegais” e contrários aos valores cristãos, condenando veemente a escalada militar no Médio Oriente e alertando para uma catástrofe humanitária sem precedentes na região.

A informação é publicada por 7Margens, 10-03-2026. 

A declaração ecuménica – subscrita também pelo Conselho de Igrejas do Médio Oriente, a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, o Conselho Metodista Mundial, a Conferência Mundial Menonita, a Conferência Cristã da Ásia e a Aliança ACT – surge na sequência do assassinato do Líder Supremo iraniano, Ali Khamenei, ocorrido a 28 de fevereiro, e da subsequente retaliação de Teerã.

Segundo as organizações, os ataques conjuntos liderados por Washington e Telavive carecem de “fundamentação credível” e constituem uma “violação flagrante da Carta da ONU”.

“O abandono da diplomacia em favor de um ataque armado é temerário e irresponsável”, lê-se no documento, apontando para o facto de os mais de 92 milhões de habitantes do Irã enfrentarem agora um futuro de incerteza, agravado por deslocamentos populacionais em massa e pela destruição de infraestruturas civis básicas.

“Tendo trilhado esse caminho, Israel e os Estados Unidos da América não podem ter permissão para, mais uma vez, criar devastação e chamar a isso paz. Devem assumir a responsabilidade pelas consequências dos seus atos, incluindo as consequências para o futuro do povo iraniano, cuja liberdade alegam promover”, sublinha a declaração ecuménica.

Lamentando que o conflito já se tenha expandido para os países vizinhos, o comunicado destaca a situação crítica no Líbano, alvo de um ataque israelita em larga escala que atingiu Beirute e o sul do país, forçando, também aí, centenas de milhares de pessoas a abandonar as suas casas. O Iraque, o Chipre, o Azerbaijão e os países do Golfo também já sentem os impactos diretos ou as retaliações da escalada bélica, referem.

Para além das questões legais, o movimento ecumênico fundamenta o seu apelo em valores éticos. “A paz é um imperativo moral e espiritual. Como cristãos, não reconhecemos nenhuma licença divina para matar, destruir, deslocar ou ocupar”, afirmam as organizações, rejeitando o que chamam de “lógica brutal da guerra”.

“A paz é um imperativo moral e espiritual enraizado na nossa fé num Deus de justiça e compaixão, e uma dádiva que não se conquista pela força ou pelo poder das armas. A dignidade humana é sagrada, refletindo a imagem de Deus. Qualquer ataque à vida civil ou violação sistemática dos direitos humanos, seja por meio de ataque externo ou opressão interna, é uma afronta direta à dignidade humana concedida por Deus e à santidade da vida”, reiteram.

O comunicado termina com um apelo ao cessar-fogo imediato, à retomada urgente dos mecanismos de diálogo diplomático e com um convite a todas as pessoas de fé para que se unam em oração pela paz no Médio Oriente, lamentando a “substituição da consciência pela conveniência política” por parte dos líderes globais.

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