"Putin está assistindo a um mundo dividido em dois; ele poderia jogar o seu próprio jogo". Entrevista com Vladimir Rouvinski

Foto: Wikimedia Commons

Mais Lidos

  • Não se trata apenas de petróleo: desdolarização e China, após o golpe de Trump na Venezuela. Artigo de Yago Álvarez Barba

    LER MAIS
  • "Gallo Pinto", o ex-espião de Chávez que incriminou Maduro

    LER MAIS
  • Para o Brasil e a América Latina os maiores riscos são, no entanto, internos, do uso político e da normalização da barbárie que as instituições e as mídias impõem frente a governos com medidas impopulares ante os poderosos

    EUA: Nova Estratégia de Segurança Nacional é a maior ruptura ao Direito Internacional desde 1945. Entrevista especial com Armando Alvares Garcia Junior

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

05 Janeiro 2026

Um especialista em relações russo-latino-americanas afirmou: "Moscou não tem mais recursos para defender seus aliados; o ataque dos EUA causará danos significativos à sua reputação."

Vladimir Rouvinski, diretor do Laboratório de Política e Relações Internacionais da Universidade ICESI, na Colômbia, e especialista em relações entre a Rússia e a América Latina, não tem dúvidas de que sexta-feira foi "um dia ruim para Vladimir Putin".

"A primeira coisa que todos na América Latina dizem, e o que as autoridades pensam", disse ele ao jornal Repubblica, de Cali, "é que Moscou foi incapaz de proteger seu aliado venezuelano. Para a Rússia, a prisão de Nicolás Maduro representa uma enorme perda de reputação. E é um dos motivos pelos quais Putin ainda não se pronunciou."

A entrevista é de Rosalba Castelletti, publicada por La Repubblica, 05-01-2026.

Eis a entrevista.

O que mais o está impedindo?

A Rússia é conhecida por seu oportunismo na América Latina. Não é surpresa que esteja aguardando para ver o que acontece. Também quer entender se a incursão na Venezuela pode marcar o início de uma nova era nas relações internacionais. Os pretextos usados ​​por Trump não são muito diferentes da ideia de Putin de um mundo multipolar, um mundo dividido em esferas de influência. Na visão de Putin sobre a multipolaridade, a esfera de influência da Rússia seria a antiga URSS, parte da Europa e talvez a Ásia Central e a Mongólia; a da China seria a maior parte da Ásia; e a dos EUA seria todo o Hemisfério Ocidental. Se Trump realmente abraçar essa ideia, a Rússia terá que mudar sua abordagem na América Latina. É por isso que Putin está protelando. Afinal, ele se manteve no poder por 25 anos permanecendo em silêncio quando não lhe convinha se pronunciar.

Alguns analistas russos chamam a Venezuela de "a nova Cuba" da Rússia. Será que essa aliança é tão forte assim?

É uma comparação enganosa. Os interesses que guiaram Moscou em direção à Venezuela são diferentes daqueles que guiaram a URSS em direção a Cuba. Naquela época, os dois blocos buscavam equilíbrio. A Rússia de hoje não é uma superpotência.

Ela queria se afirmar no Hemisfério Ocidental por meio de uma lógica de reciprocidade, mas simbólica. Queria demonstrar que era novamente capaz de se engajar na América Latina. E, em certa medida, conseguiu. Em 2019, quando a oposição venezuelana tentou derrubar Maduro, a Rússia investiu no setor petrolífero e lhe forneceu uma tábua de salvação, pois Maduro precisava urgentemente de dinheiro para pagar seu exército. Hoje, a situação mudou.

Será que Moscou está muito ocupada na Ucrânia?

A guerra na Ucrânia consome muitos recursos. A intervenção russa seria irrealista em qualquer caso. A Venezuela não pode ser comparada à Síria. A Síria é próxima da Rússia e abriga duas de suas bases militares. A Venezuela está do outro lado do mundo e não tem presença militar russa. Não havia como Putin apoiar a Venezuela da mesma forma que Khrushchev apoiou Cuba.

No passado, houve quem levantasse a hipótese de uma troca entre Putin e Trump: a Ucrânia em troca da Venezuela.

Não acredito nisso de jeito nenhum. Trump acredita que a América Latina é seu quintal e jamais teria consultado Putin. Ele também não precisava de um acordo comercial, porque a Rússia não poderia ter feito nada para impedi-lo.

Leia mais