Ninguém é estrangeiro. Artigo do Pe. Alfredo J. Gonçalves

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28 Junho 2023

“Na Igreja, não podemos falar de estrangeiros, e sim de irmãos e irmãs. “Lembra-te que foste escravo na terra do Egito, por isso não podes maltratar o órfão, a viúva e o imigrante que vive em teu meio”, diz a Palavra de Deus”, escreve o Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS, vice-presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes - SPM/São Paulo.

Eis o artigo.

Com frequência tropeçamos com pessoas de outros países. De imediato, os classificamos como "estrangeiros". Esquecemos que todo imigrante nasceu em um determinado lugar concreto, sendo por isso cidadão de algum país. Um exemplo: toda pessoa que nasceu no Brasil, antes de ser estrangeira, onde quer que se encontre, segue sendo brasileira. Vale o mesmo para a pessoa haitiana, venezuelana, síria, ucraniana, congolesa, afegã, angolana, e assim por diante.

Imigrante sim, estrangeiro não. A pessoa, para onde quer que se desloque, mantém o registro de cidadã. Mais do que isso, desde o ponto de vista evangélico, será sempre filho e filha de Deus. Disso resulta que, na Igreja, não podemos falar de estrangeiros, e sim de irmãos e irmãs. “Lembra-te que foste escravo na terra do Egito, por isso não podes maltratar o órfão, a viúva e o imigrante que vive em teu meio”, diz a Palavra de Deus.

O termo “estrangeiro” nasce pela criação das fronteiras, coisa que, por sua vez, se deve à posse e apropriação do território. Daí se seguem as cercas que dividem a população em "nós" e os " outros", os "cidadãos" e os "estrangeiros". Ou seja, os "nacionais ou conhecidos", de um lado, e, do outro, os "estranhos ou, pior ainda, desconhecidos". Mas, desde a perspectiva dos direitos humanos, todos seguimos sendo homens e mulheres, filhos e filhas de Deus, cidadãos do planeta terra.

Nas palavras do Papa Francisco, todos e todas herdamos a cidadania da "nossa casa comum". O fato de ter nascido - isto é, a certidão de nascimento - é o primeiro e mais importante documento que nos garante a cidadania universal. E aqui batemos às portas do conceito indígena de "terra sem males", ou da concepção de Boa Nova do "reino de Deus", e ainda à noção apocalíptica de "novo céu e nova terra".

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