Nablus, também em Israel o fascismo quer guerra

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27 Fevereiro 2023

"Por mais desagradável que seja, temos que chamar as coisas pelo seu nome: também em Israel o fascismo quer guerra. A vitória eleitoral de forças que se reportam explicitamente a um 'poder hebraico', ainda minoritárias, mas já bem estabelecidas em posições de comando, é o primeiro passo de um projeto que precisa levar a tensão às estrelas para se consolidar", escreve Gad Lerner, jornalista, publicado por Il Fatto Quotidiano, 24-02-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo. 

Corresponde a uma calculada estratégia de terror a incursão levada a cabo em Nablus pelo exército israelense que atacou em pleno dia a multidão da cidade palestina, provocando a morte de onze pessoas e mais de cem feridos. No passado, para neutralizar potenciais responsáveis de atentados, os militares recorriam a ações direcionadas, geralmente noturnas. Desta vez, ao contrário, como já no mês passado em Jenin, o novo governo de extrema-direita escolheu atirar descontroladamente colocando na conta um alto número de vítimas.

Um cálculo cínico, destinado a provocar uma retaliação igualmente sangrenta por parte dos palestinos e pressioná-los para uma terceira intifada de desfecho trágico e fracasso certo. O objetivo dessa estratégia irresponsável é até em demasia claro: recompactar a sociedade israelense na urgência da autodefesa.

Netanyahu e seus aliados supremacistas não esperavam que sua reforma da justiça, destinada a limitar os poderes da Suprema Corte, causasse um verdadeiro levante popular como resposta, inclusive apoiado por importantes setores do establishment. Bibi precisa antes de tudo para escapar dos processos que poderiam levar ao seu impeachment. Mas para conseguir isso não pode prescindir de seus parceiros que visam a anexação dos territórios ocupados e a transformar em lei do Estado as normativas obscurantistas dos ultraortodoxos. Por isso hoje muitos israelenses denunciam abertamente o perigo de uma virada autoritária.

Por mais desagradável que seja, temos que chamar as coisas pelo seu nome: também em Israel o fascismo quer guerra. A vitória eleitoral de forças que se reportam explicitamente a um “poder hebraico”, ainda minoritárias, mas já bem estabelecidas em posições de comando, é o primeiro passo de um projeto que precisa levar a tensão às estrelas para se consolidar.

 

 

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