Na COP27, os lobistas da indústria fóssil têm acesso livre às mesas de negociações

(Foto: Reprodução | Flickr)

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16 Novembro 2022

Na COP27 no Egito, o número de lobistas da indústria do petróleo e do gás aumentou 25% em relação ao ano passado. “A relação de forças é completamente desequilibrada”.

A reportagem é de Aurore Mathieu, publicada por Reporterre, 14-11-2022. Aurore Mathieu é responsável pelas políticas internacionais na Climate Action Network (RAC), que reúne associações envolvidas na luta contra as mudanças climáticas. A tradução é do Cepat.

Em Sharm el-Sheikh, o cansaço começa a ser sentido. Estamos dez a doze horas por dia no centro de conferências. E estamos lutando para sermos ouvidos, porque esta é, na realidade, a COP dos lobbies fósseis. Shell, Chevron, BP… Essas empresas são 636 este ano, em comparação com 503 no ano passado em Glasgow, de acordo com as ONGs Corporate Accountability, Global Witness e Corporate Europe Observatory. E, novamente, esse número é uma estimativa baixa. Alguns países também incluem lobistas na sua própria delegação. É impossível distingui-los dos demais delegados, pois possuem o mesmo distintivo rosa, usado pelos representantes dos Estados. Sentam-se tranquilamente à mesa de negociações.

Sexta-feira, 11 de novembro, foi o dia deles na COP27, o da “descarbonização”. Claramente, é o dia dedicado à greenwashing das companhias de petróleo e gás. A presidência egípcia estendeu-lhes o tapete verde e elas aproveitaram a oportunidade para fazer parecer que estavam à altura da tarefa na luta contra as mudanças climáticas. No entanto, um novo estudo mostra que as emissões de CO2 ligadas ao petróleo e ao gás são três vezes maiores do que os produtores afirmam…

A relação de forças é completamente desequilibrada

Nas mesas redondas, houve sobretudo muitos lobistas da captura e armazenamento de carbono, uma técnica que consiste em evitar as emissões de CO2 no ar capturando-as diretamente na fonte, ou seja, saindo das chaminés das fábricas, e transportando-as para o solo. Mas esta é uma falsa solução. É uma técnica muito cara e ainda está balbuciante. E, acima de tudo, permite que os fabricantes mantenham o status quo e se afastem da verdadeira questão: a redução drástica de suas emissões.

Nessas condições, como podemos esperar progressos positivos e sérios de uma cúpula climática? A relação de forças é completamente desequilibrada. Há mais lobistas da indústria de combustíveis fósseis do que representantes dos dez países mais afetados pelas mudanças climáticas. Está realmente na hora de tirá-los das negociações.

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