O autoritarismo também está presente na Guatemala

Permissão de existir | Foto: Claudio Cavalcanti / MidiaNINJA

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17 Agosto 2022

 

O diretor do jornal guatemalteco elPeriódico, jornalista José Rubén Zamora, 65 anos, ficará detido até a próxima audiência no Ministério Público, agendada para 8 de novembro. A ordem de acusação e prisão foi emitida pelo juiz Freddy Orellana. Zamora é acusado de possível lavagem de dinheiro, chantagem e tráfico de influência.

 

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista. 

 

O jornalista foi preso em sua casa, na Cidade da Guatemala, no dia 29 de julho. Nesse mesmo dia a polícia invadiu a redação do elPeriódico. Dias depois da prisão, autoridades congelaram as contas de Zamora e do jornal, colocando em risco a continuidade do periódico. A equipe de redação denunciou a prisão do seu diretor como uma retaliação por reportagem publicada sobre o presidente da República e a procuradora-geral.

 

“Acreditamos que as ações contra [Zamora] são um plano de vingança criado pelo presidente Alejandro Giammattei e a procuradora-geral María Consuelo Porras Argueta, devido as investigações, críticas e publicações que a mídia faz sobre possíveis atos de corrupção na presidência”, declarou o coordenador da Associação de Jornalistas da Guatemala, Héctor Coloj.

 

Ataques são frequentes também ao site do elPeriódico, denunciou ao IJNet o editor do jornal, Juan Diego Godoy. “Temos sido vítimas de ataques de hackers – ataques complexos e muito bem forjados e orquestrados feitos por grupos contra o nosso site. Sofremos pelo menos um ataque pesado por mês”, informou.

 

Desde a eleição do presidente da República Alejandro Giammattei, em 2020, ocorreram 350 ataques contra jornalistas, segundo levantamento realizado pela Associação de Jornalistas da Guatemala. “Incidentes incluem assédio judicial, discurso de ódio, retórica estigmatizante proferida pelo gabinete da presidência e violência policial”, informam os repórteres Devin Windelspecht e Aurora Martínez.

 

No ranking do índice de liberdade de imprensa da Repórteres Sem Fronteiras, a Guatemala ocupa a posição 124 entre 180 países. O diretor de Advocacia do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), Guillén Kaiser, lembrou que “a perseguição judicial contra jornalistas é um mecanismo de intimidação e as autoridades da Guatemala precisam encerrar a campanha de intimidação e ameaça à imprensa”. O CPJ pediu, em nota, a imediata soltura de Zamora.

 

Também o International Press Institute (IPI) e o Centro Internacional para Jornalistas (CIJ) condenaram a prisão de Zamora e pediram sua imediata libertação. “A Rede Global IPI condena veementemente esta grave escalada de pressão sobre a mídia na Guatemala. O assédio da mídia crítica é inaceitável em uma democracia”, declarou o vice-diretor da entidade, Scott Griffen.

 

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