O Papa: os corações devem ser desmilitarizados para vencer o demônio da guerra

Fonte: Wikimedia Commons

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12 Mai 2022

 

Um pedido sincero a Nossa Senhora, "Mãe da Ternura", para "fazer de todos nós artífices da revolução da ternura, para libertar o mundo juntos da sombra da solidão e do demônio da guerra”. Da guerra na Ucrânia e das outras guerras que ensanguentaram o mundo. É com este apelo à Santíssima Virgem que o Papa Francisco conclui a sua Mensagem para o segundo Dia Mundial dos Avós e dos Idosos que a Igreja celebra a 24 de julho, dia da memória litúrgica dos Santos Joaquim e Ana, pais de Maria.

 

A reportagem é de Gianni Cardinale, publicada por Avvenire, 11-05-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

O Pontífice observa que o mundo vive “um tempo de dura provação”, marcado “primeiro pela inesperada e furiosa tempestade da pandemia”, depois “por uma guerra que fere a paz e o desenvolvimento em escala mundial”. "Não é por acaso - acrescenta - que a guerra tenha voltado à Europa no momento em que a geração que a viveu no século passado está desaparecendo". E "essas grandes crises correm o risco de nos tornar insensíveis ao fato de que existem outras ‘epidemias’ e outras formas generalizadas de violência que ameaçam a família humana e nossa casa comum". Diante de tudo isso, explica Francisco, precisamos de "uma mudança profunda", de "uma conversão que desmilitarize os corações, permitindo que cada um reconheça no outro um irmão".

 

O Papa em sua Mensagem usa o "nós" para indicar "os avós e os anciãos". "Nós - escreve - temos uma grande responsabilidade", a de "ensinar às mulheres e aos homens do nosso tempo a ver os outros com o mesmo olhar compreensivo e terno que dirigimos aos nossos netos". De fato, os avós e os idosos afinaram a sua humanidade no cuidado do próximo e hoje podem "ser mestres de um modo de viver pacífico e atento aos mais fracos". “A nossa, talvez – ressalta o Pontífice, evocando o quinto capítulo do Evangelho de Mateus – poderá ser confundida com fraqueza ou submissão, mas serão os mansos, não os agressivos e os prevaricadores, que herdarão a terra”.

 

Para o bispo de Roma, um dos frutos que os avós e os idosos são "chamados a trazer" é o de "cuidar do mundo". O Papa escreve: "Hoje é o momento de segurar no colo – com a ajuda concreta ou também apenas com a oração -, junto com os nossos, aqueles tantos netos assustados que ainda não conhecemos e que talvez estejam fugindo da guerra ou sofrem por sua causa". E acrescenta: "Vamos cuidar no nosso coração - como fazia São José, pai terno e carinhoso - os pequeninos da Ucrânia, do Afeganistão, do Sudão do Sul...".

 

Em sua Mensagem, Francisco reitera que a velhice "não é um tempo inútil" para puxar os remos do barco, mas "uma estação para ainda dar frutos ". De fato, a “especial sensibilidade” da velhice “pelas atenções, pensamentos e afetos que nos tornam humanos” deveria “voltar a ser uma vocação para muitos”. Esta "será uma escolha de amor dos idosos para com as novas gerações". Com uma "nova missão", a de se tornarem "protagonistas" da "revolução da ternura". Uma "revolução espiritual e desarmada" que pode realmente libertar o mundo do "demônio da guerra".

 

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