Comunicado da Santa Sé sobre a conduta do arcebispo Theodore Edgar McCarrick

Cardeal Theodore McCarrick. Foto: Bryant Avondoglio | Flickr

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08 Outubro 2018

Publicamos aqui a nota divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, 06-10-2018, sobre o caso do arcebispo e ex-cardeal estadunidense Theodore Edgar McCarrick.

A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Após a publicação das acusações referentes à conduta do arcebispo Theodore Edgar McCarrick, o Santo Padre Francisco, consciente e preocupado com a confusão que elas estão causando na consciência dos fiéis, dispôs que seja comunicado o que se segue.

Em setembro de 2017, a Arquidiocese de Nova York informou à Santa Sé que um homem acusava o então cardeal McCarrick de tê-lo abusado nos anos 1970. O Santo Padre dispôs, a esse respeito, uma investigação prévia aprofundada, que foi realizada pela Arquidiocese de Nova York, na conclusão da qual a relativa documentação foi transmitida à Congregação para a Doutrina da Fé.

Enquanto isso, como surgiram graves indícios durante a investigação, o Santo Padre aceitou a renúncia do arcebispo McCarrick do Colégio Cardinalício, ordenando-lhe a proibição do exercício do ministério público e a obrigação de levar uma vida de oração e de penitência.

A Santa Sé, no devido tempo, não deixará de divulgar as conclusões do caso que envolve o arcebispo McCarrick. Também em relação a outras acusações feitas contra o eclesiástico, o Santo Padre dispôs que as informações coletadas através da investigação prévia fossem integradas com mais um estudo acurado de toda a documentação presente nos Arquivos dos Dicastérios e Escritórios da Santa Sé referentes ao então cardeal McCarrick, a fim de apurar todos os fatos relevantes, situando-os no seu contexto histórico e avaliando-os com objetividade.

A Santa Sé está ciente de que, a partir do exame dos fatos e das circunstâncias, poderão surgir escolhas que não foram coerentes com a abordagem atual a tais questões. No entanto, como disse o Papa Francisco, “seguiremos o caminho da verdade, aonde quer que ela possa nos levar” (Filadélfia, 27 de setembro de 2015).

Tanto os abusos quanto o seu acobertamento não podem mais ser tolerados, e um tratamento diferente para os bispos que os cometeram ou os encobriram, de fato, representa uma forma de clericalismo nunca mais aceitável.

O Santo Padre Francisco renova o urgente convite a unir forças para combater a grave chaga dos abusos dentro e fora da Igreja e para impedir que tais crimes ainda sejam perpetrados contra os mais inocentes e os mais vulneráveis da sociedade.

Como anunciado, ele convocou os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo no próximo mês de fevereiro, enquanto ainda ressoam as palavras da sua recente Carta ao Povo de Deus:

“Portanto, a única maneira de respondermos a esse mal que prejudicou tantas vidas é vivê-lo como uma tarefa que nos envolve e corresponde a todos como Povo de Deus. Essa consciência de nos sentirmos parte de um povo e de uma história comum nos permitirá reconhecer nossos pecados e erros do passado com uma abertura penitencial capaz de se deixar renovar a partir de dentro” (20 de agosto de 2018).

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