Violência contra mulheres pauta a agenda eleitoral do Chile

Caroina Goic é candidata à presidência pela Democracia Cristã

Mais Lidos

  • Leão XIV proclama o segredo mais bem guardado da Igreja Católica em ‘Magnifica Humanitas’. Artigo de Thomas Reese

    LER MAIS
  • ​Prevenção da violência, enfrentamento da criminalidade e recuperação de jovens em conflito com a lei dependem de políticas que ultrapassem o punitivismo penal, defende o advogado

    Redução da maioridade penal e a lógica punitivista: “A segurança pública não será alcançada apenas por meio do aumento da punição”. Entrevista especial com Alexander Rodrigues de Castro

    LER MAIS
  • Lefebvrianos, a Santa Sé formaliza o cisma: "As portas se abrem para os fiéis que não aderirem"

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Por: Vitor Necchi | 05 Agosto 2017

Por não haver mais tolerância em relação à violência contra mulheres, o tema entrou na pauta das eleições que ocorrerão no Chile em 19 de novembro. Isso se deve a um acontecimento do passado do deputado Ricardo Rincón, que agrediu sua mulher em 2002. Rincón acabou condenado pela Justiça a seis meses de terapia psicológica, mas não cumpriu a sentença. No último sábado (29/7), ele foi escolhido candidato para reeleição pela Democracia Cristã, mas teve sua candidatura revogada pela presidente do partido, a senadora Carolina Goic.

Desse episódio, Goic saiu fortalecida por diversas manifestações de apoio e pelo respaldo do seu próprio partido. Por conta disso, anunciou que uma comissão encabeçada pelo advogado Patricio Zapata analisará cada um dos candidatos para as eleições parlamentares que ocorrerão juntamente com a presidencial. A senadora afirmou que não subscreveria a candidatura de Rincón por estar convencida de que, se a intenção for mudar as coisas, é necessário ser intolerante com abusos e práticas ilícitas. “Hoje temos elevado padrão ético, o que é um triunfo da cidadania ", afirmou.

O caso foi trazido à tona pela senadora, nesta quinta-feira (3/8), ocasião em que anunciou que prosseguirá sua caminhada em busca da candidatura à presidência. Para ela, a escolha de Rincón configurava uma falta de coerência, se for considerado que o partido pretende combater abusos e más práticas na política. "Nós escolhemos o caminho difícil, mas tenho certeza que é o caminho certo", disse Goic.

O apoio à declaração partiu de um amplo espectro político. O ex-presidente Sebastián Piñera, da coalizão de direita Chile Vamos, declarou que não seria favorável que alguém condenado por violência doméstica postulasse qualquer cargo eletivo. O também ex-presidente Ricardo Lagos, social-democrata, destacou que “todo chileno bem-nascido é contra a violência contra as mulheres". A candidata da coalizão de esquerda Frente Ampla, Beatriz Sánchez, também se posicionou favorável ao tensionamento feito pela senadora.

Os democratas-cristãos, que participam da coalizão governista de Michelle Bachelet, pela primeira vez disputará a presidência com um candidato próprio desde a redemocratização do país, em 1990. O partido conta com apenas 1% das intenções de voto. O desafio de Goic, a partir da liderança que demonstrou no caso Rincón, é conquistar mais apoio.

Dados preocupantes

Em 2016, quase 9 mil chilenas buscaram atendimento médico de emergência em decorrência de violência familiar. Conforme o Ministério da Saúde, elas fazem parte das 24 mil mulheres que, a cada ano, denunciam em centros de saúde agressões sofridas em casa, em assaltos ou por outros motivos.

O feminicídio foi tipificado como crime no Chile em 2010. No entanto, a legislação vem se mostrando insuficiente, porque contempla apenas os crimes cometidos por maridos, ex-maridos ou homens com os quais as mulheres tiveram filhos. Ficam de fora da caracterização de feminicício os crimes cometidos por noivos, por homens que matam menores de 18 anos ou que não tenham vinculação com a vítima. Assim, os crimes contra mulheres não são coibidos com a dimensão necessária.

Leia mais