A Igreja da Inglaterra admitiu ter ocultado os abusos sexuais de um bispo

Arcebispo Justin Welby | Foto: Foreign and Commonwealth Office/ Flickr

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23 Junho 2017

O titular da Igreja da Inglaterra admitiu nesta quinta-feira que a instituição "fez um conluio" com o bispo Peter Ball, condenado por abuso sexual, para ocultar seus crimes durante décadas, após a publicação de um relatório independente que denunciou o ocultamento.

A informação é publicada por InfoBae, 22-06-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Justin Welby, arcebispo da Cantuária, declarou que a Igreja Anglicana não ajudou "aqueles que foram corajosos ao denunciar os abusos", o que ele considerou como "chocante e inexplicável".

Ball foi condenado, em 2015, a 32 meses de prisão por crimes sexuais, realizados entre as décadas de 1970 e 1990, com pelo menos 18 jovens aspirantes ao clero, muitos deles menores de idade, e que ele os obrigava a rezarem nus. No entanto, ele foi liberado em fevereiro, após 16 meses atrás das grades.

O relatório denunciou que Ball "usou a religião como um disfarce" para realizar seus abusos e que a Igreja falhou em responder adequadamente durante um longo período. Além disso, acusou Ball de causar "danos graves e duradouros" na vida de muitos homens. "A Igreja, no seu nível hierárquico mais alto, apoiou-o de forma imprudente", sentenciou.

O documento aponta principalmente contra o ex-arcebispo Lord Carey, que considerou em uma carta escrita em 1993 que Ball era "basicamente inocente". Além disso, ao menos seis denúncias relatadas dentro da igreja não foram comunicadas à polícia e houve esforços para que elas não se tornassem públicas, priorizando a reputação da Igreja acima do apoio às vítimas.

Em um comunicado, Carey colocou seu cargo à disposição, considerando o relatório como "uma leitura profundamente incômoda" e desculpando-se com as vítimas. "Acreditei na versão de Peter Ball e dei muito pouca credibilidade às denúncias de jovens e crianças vulneráveis", reconheceu.

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