A guerra entre duas Igrejas e dois papas

Mais Lidos

  • Para a pesquisadora, o design das plataformas deixou de ser apenas uma escolha estética de interface e se tornou o principal ator tecnopolítico das Big Techs, moldando o comportamento dos usuários e impactando diretamente o debate democrático

    Economia da atenção: o design algorítmico a serviço da estetização da política. Entrevista especial com Anna Bentes

    LER MAIS
  • Instituto Humanitas Unisinos – IHU promove evento em memória ao centenário do agrônomo e ambientalista brasileiro nesta quinta-feira, 20-08-2026, às 17h30min

    José Lutzenberger, 100 anos. Da Borregaard às enchentes: os alertas ignorados

    LER MAIS
  • Qual é o pior momento do ateu? Artigo de Leonardo Boff

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

20 Março 2018

Em duas semanas, celebra-se a Páscoa católica, mas, para o Vaticano, ainda é tempo de Quaresma. Algo que vai além do deserto de penitência e jejum deste período. Isto é, a dramática e evidente divisão que reina na inédita Igreja dos dois pontífices: Francisco e o emérito Bento XVI, que se afirma cada vez mais como “o verdadeiro papa” para a direita clerical e farisaica que combate o argentino Bergoglio, “falso papa”.

A reportagem é de Fabrizio D’Esposito, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 19-03-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A questão explodiu com a fatídica carta do próprio Bento XVI sobre os “onze livrinhos” que a Livraria Editora Vaticana dedicou à figura de Francisco teólogo. Porém, na ânsia de remover o ícone ratzingeriano da oposição tradicionalista (mas também da católico-maçônica que fomenta um clamoroso cisma), o prefeito da Secretaria para a Comunicação, Mons. Dario Edoardo Viganò, se saiu bastante desajeitado.

Breve resumo: em 7 de fevereiro, Ratzinger respondeu ao pedido de Viganò de escrever sobre os livretos de Bergoglio teólogo. O “ministro” da Comunicação vaticana leu a carta de Bento XVI às vésperas do quinto aniversário do pontificado de Bergoglio, no dia 12 de março passado. Mas a leu de modo parcial, para evidenciar as palavras beneditinas sobre a “continuidade interior” entre os dois papas, contra aqueles que usam “o tolo preconceito” de contrapor um Bergoglio “prático” sem formação a um Ratzinger rígido professor desconectado do cristianismo de hoje. Em suma, um golpe fatal para os rebeldes antibergoglianos. Teoricamente.

Só que a carta não estava completa. O primeiro a se dar conta disso foi o vaticanista Sandro Magister. Depois, a Associated Press revelou o truque fotográfico para desfocar as duas linhas em que Ratzinger, tout court, diz que não tem tempo para ler os “onze livrinhos”. Por fim, o golpe final para o pobre Viganò: um parágrafo inteiro ocultado, em que o papa emérito explica sua decidida “negação” a escrever com a presença do “professor Hünermann” entre os teólogos interpelados, ex-líder de “iniciativas antipapais durante o meu pontificado”.

Muito mais do que “continuidade interior”. Muito mais do que papa emérito. Ratzinger continua reinando e não faz nada para esconder isso.