Ritmo de demissões chega a 282 por hora no Brasil

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11 Abril 2016

O Brasil dos desempregados já tem quase a mesma população de Portugal: beira os 10 milhões de habitantes. Por hora, 282 brasileiros passam a fazer parte desse contingente, mostram cálculos do economista Alexandre Cabral, professor em instituições como da Fundação Instituto de Administração (FIA) e Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A estimativa é de que, até o fim do ano, o número chegue a 12 milhões e as dificuldades para a recolocação sejam maiores.

— Isso é muito grave. Com exceção da agricultura, não há setor livre do fantasma do desemprego — diz o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados

A informação é publicada por Zero Hora, 11-04-2016.

A nova onda de retração no mercado de trabalho ficou evidente a partir do segundo semestre do ano passado, quando os setores de comércio e serviços, grandes empregadores, começaram a demitir com mais força. A piora se somou aos desligamentos na construção civil e na indústria, em crise há mais tempo. Em 2015, o comércio fechou 208 mil postos de trabalho, após mais de 10 anos de criação de vagas. O setor viu as vendas recuarem 8,6% ano passado. Em 2016, a previsão é de queda de 8,3%. — Para este ano, estamos esperando o corte de 220 mil postos — afirma Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O que ajuda a explicar a forte piora nos setores de comércio e serviços é a queda da renda do Brasil. Em 2015, o recuo real, quando é descontada a inflação, foi de 3,7%. A última queda havia sido observada em 2004, de 1,4%.

A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria Integrada, observa que, em apenas dois anos, o Brasil perdeu a condição de pleno emprego. Até Porto Alegre, que em 2011 foi batizada de “a capital do pleno emprego”, já sofre com aumento das demissões. Dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE) mostram que a taxa atingiu os dois dígitos na Região Metropolitana em fevereiro: 10,1%. Há um ano, estava em 5,8%.