O grito de Paolo Dall'Oglio

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12 Dezembro 2012

Ele pragueja, ruge, vocifera. E tem motivo. Ele sabe do que fala. O padre Paolo Dall'Oglio teve a honra de ser convidado para os programas Faut pas croire, do sábado 29 de setembro, no canal suíço RTS Un, e Hautes Fréquences, no domingo, 30, no canal La Première. Na realidade, foi uma honra para os programas que acolheram essa personalidade fora dos esquemas. Ele é um homem honrado, que defendeu o povo sírio. Com força e com garbo. E, fazendo isso, colocou os nossos relógios (suíços) no tempo certo. Os nossos esquemas mais ou menos informados foram destruídos pelas convicções desse jesuíta comprometido.

A reportagem é de Bernard Litzler, publicada no sítio Cath.ch, 01-10-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele defendeu, com sabedoria, a concepção cristã da violência. Pegar em armas não é necessariamente atiçar a violência. Porque o uso da força deve ser proporcional. Mas quando um povo é perseguido pelos seus governantes, e os resistentes se opõem, é preciso pôr-se do lado da justiça contra a injustiça.

A Síria está em guerra, uma guerra interna. Porque o caminho democrático falhou. As esperanças nascidas pela chegada ao poder de Assad filho foram desiludidas. A Primavera Árabe também despertou esperanças legítimas, não realizadas, a leste do Mediterrâneo. Logo a revolta se desenvolveu, primeiro tímida, depois em grande escala.

Na Síria, começa a aparecer um perigo de uma islamização reforçada. Mas o abandono da oposição síria por parte do Ocidente favorece os combatentes islâmicos. E o mosaico composto pelas comunidades se transforma em blocos antagônicos: sunitas, xiitas, alauítas, cristãos, todos buscam mover as suas peças. Mas as minorias, tratadas como inferiores, abandonando o país, cristãos em primeiro lugar. Qual o futuro da Síria? O grito de Paolo Dall'Oglio era de revolta, mas também de esperança.

Os governantes estão tomados por um irresistível desejo de se enfurecer. E os opositores, por um irresistível desejo de "ir até os extremos", atitude compreensível. A espiral é infernal. Como reconciliar o povo consigo mesmo? A mensagem do religioso italiano foi mais do que um apelo. Foi um grito de esperança. Para um povo aterrorizado pelos horrores, há vozes que pesam. Para acreditar ainda que a barbárie não terá a última palavra.