“Cuidado com a vaidade, que torna a vida uma bolha de sabão”, adverte o Papa

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: Jonas | 29 Setembro 2014

O Papa Francisco advertiu os cristãos a respeito de um inimigo presente e perigoso: a vaidade, que distancia da verdade e torna as pessoas em algo semelhante às bolhas de sabão. “Fazer-se notar”, a “tentação de aparentar” é um perigo sério para todos os cristãos. A “vaidade” provoca situações ambivalentes, como quando alguém se mostra “doando um cheque para as obras da Igreja” e, imediatamente depois, “caloteia por outro lado a Igreja”. E também, “quando vemos certos monumentos fúnebres, acreditamos que é vaidade, porque a verdade é voltar à terra nua”. A vaidade nos faz “passear nas praças com roupas luxuosas, como príncipes”. Faz-nos “jejuar com melancolia, para que todos se deem conta”. Foi o que disse e denunciou o Papa Francisco na homilia da missa matutina, na capela da Casa Santa Marta, segundo apontou a Rádio Vaticana. O Pontífice lembrou que a vaidade é uma “enfermidade espiritual muito grave”: “Viver para aparentar, viver para se fazer notar”.

 
Fonte: http://goo.gl/ngvvbz  

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 25-09-2014. A tradução é do Cepat.

Se você “não tem algo consistente, também passará como todas as coisas”. O Papa Francisco tomou o exemplo do livro do Eclesiastes para falar sobre a vaidade. Uma tentação, destacou, que existe não apenas para os pagãos, como também para os cristãos, para “a gente de fé”. Jesus, recordou o Papa, “repreendeu muito” aos que se gabavam.

Para os doutores da lei, acrescentou, dizia que não devem “andar pelas praças” com “roupas de luxo”, como “príncipes”. Quando você rezar, coloque-se a sós com o Senhor: “Por favor, não procure se mostrar, não reze para ser visto”, “reze em segredo, entra em seu quarto”. O mesmo, disse o Papa, deve ser feito quando se ajuda os pobres: “Não toque trombeta, faça isso às escondidas”. “O Pai o vê, é suficiente”. Contudo, o vaidoso: ‘mas olha, eu dou este cheque para as obras da Igreja’ e mostra o cheque; depois caloteia por outro lado a Igreja. É o que faz o vaidoso: vive para aparentar. ‘Quando jejuar – disse o Senhor – por favor, não se mostre melancólico, triste, para que todos percebam. Faça penitência com alegria, para que ninguém se dê conta’. E a vaidade é assim: é para aparentar, viver para se fazer ver. Os cristãos que vivem assim – continuou – para aparentar, pela vaidade, parecem pavões, mostram-se. Diz: “eu sou cristão, eu sou parente daquele padre, daquela freira, desse bispo, minha família é uma família cristã”. “Gabam-se”.

Porém – pergunta o Papa – e sua vida com o Senhor? Como reza? Sua vida com as obras de misericórdia, como vai? Visita o doente? “A verdade”. É por isso que Jesus, acrescentou, “disse-nos que devemos construir nossa casa, ou seja, nossa vida cristã sobre a rocha, na verdade”. Por outro lado, advertiu, “os vaidosos constroem a casa sobre a areia e a casa cai, a vida cristã cai, desliza, porque não é capaz de resistir às tentações”: “Quantos cristãos vivem para aparentar. Sua vida parece como uma bolha de sabão. É bonita a bolha de sabão! Com todas as suas cores! Entretanto, dura um segundo e depois, o quê? Também quando nos fixamos em alguns monumentos fúnebres, pensamos que é vaidade, porque a verdade é voltar à terra nua, como dizia o Servo de Deus Paulo VI. A terra nua nos espera, esta é a nossa verdade final. Enquanto isso, orgulho-me ou faço algo? Faço o bem? Busco a Deus? Rezo? As coisas que possuem consistência. E a vaidade é uma mentira, é fantasiosa, engana a si mesma, engana o vaidoso, porque primeiro finge ser algo, com o tempo, chega a acreditar no que pensa dele próprio. Acredita, pobrezinho!

E isto, enfatizou, é o que acontecia com o tetrarca Herodes, que, como lemos no Evangelho de hoje, perguntava-se com insistência sobre a identidade de Jesus.“A vaidade, - disse o Papa – semeia o mal-estar, tira a paz. É como aquelas pessoas que se maquiam muito e depois temem que a chuva tire tudo”. “A vaidade não nos dá paz – destacou –, apenas a verdade nos dá paz”.

Portanto, Francisco reiterou que a única rocha sobre a qual construímos nossa vida é Jesus. “E pensemos” – disse – “nesta proposta do diabo, do demônio, que também tentou Jesus no deserto, a vaidade”, e disse: “Vem comigo, subamos ao templo, façamos o espetáculo; jogue-se e todos nós acreditaremos em você”. O diabo havia apresentado para Jesus “a vaidade em uma bandeja”.

A vaidade, disse o Papa, “é uma enfermidade espiritual muito grave”: Os Padres egípcios do deserto diziam que a vaidade é uma tentação contra a qual é preciso lutar a vida toda, porque sempre volta a nos tirar a verdade. E para entender isto diziam que é como a cebola. Você a pega e começa a descascá-la. E descasca a vaidade hoje, um pouco de vaidade amanhã e passa toda a vida descascando a vaidade para vencê-la. E, ao final, fica feliz: acabei com a vaidade, descasquei a cebola, mas o cheiro fica em sua mão. Peçamos ao Senhor a graça de não sermos vaidosos, de sermos verdadeiros, com a verdade da realidade e do Evangelho.