O dom da gratuidade, a bondade divina. Breve reflexão para cristãos ou não. Comentário de Chico Alencar

Foto: Priscilla Du Preez/ Unsplash

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20 Setembro 2026

"Na parábola de hoje, Jesus compara o Reino do Céu - aqui, a Justiça divina - a um patrão diferente, nada "patronal": um dono de vinha que acerta o pagamento justo com alguns trabalhadores. E depois, com outros, com menos horas trabalhadas, paga o mesmo!", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, ao comentar o evangelho desse domingo.

Segundo ele, "nas "vinhas" da vida: as dádivas recebidas são graças, bondades, flores no caminho. Sem "meritocracia"!

Eis o texto.

Nesse domingo, em Mateus (20,1-16) Jesus conta mais uma parábola desconcertante.

Ela já se anuncia em Isaías 55, 8: "Meus pensamentos não são como os vossos, nem vossos caminhos são como os meus, diz o Senhor".

Na parábola de hoje, Jesus compara o Reino do Céu - aqui, a Justiça divina - a um patrão diferente, nada "patronal": um dono de vinha que acerta o pagamento justo com alguns trabalhadores. E depois, com outros, com menos horas trabalhadas, paga o mesmo!

Não reduz o salário, nem fica na lógica contábil e no cálculo produtivista de pagar pelo que ganhou em "valor agregado": é pura gratuidade, generosa abundância. Partilha sobrante.

Um Deus Amor que doa pelo prazer de doar. Um Deus que exalta como "primeiros" os que chegaram "por último". No seu Reino não tem primeiro nem último: todos são iguais. Tanto quem está faz tempo na labuta como quem chegou mais tarde na tarefa.

O querido amigo padre Ricardo Resende me explicou que essa parábola era também um toque para os que, vaidosos, se julgavam "mais valorosos" que outros na comunidade primitiva, por terem se convertido há mais tempo...

Assim nós, nas "vinhas" da vida: as dádivas recebidas são graças, bondades, flores no caminho. Sem "meritocracia"!

Por isso devemos ser sempre gratos, livres de ansiedades, leves como quem se deixa embalar num sono bom, soltos como a claridade do amanhecer...

Trata-se de, sem competições de egos, entender a vida como a cantaram lindamente Jorge Dextler e Paulinho Moska em "A idade do céu":

"Não somos mais/ que uma gota de luz/
uma estrela que cai/ um breve pulsar (...)
Calma, tudo está em calma/
Deixe que o beijo dure, deixe que o tempo cure/
No somos más que una broma de Dios/ un capricho del sol (...)
Somos un grano de sal/ en el mar del cielo/
Calma...".

Nossa grandeza está em reconhecermos nossa pequenez. Nossa riqueza está em enriquecermos a muitos, com doação, despojamento e simplicidade.

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