27 Abril 2026
"Trump era conhecido por ser pouco ortodoxo. Parece que tudo está indo muito mal, completamente de cabeça para baixo."
O artigo é de Guillermo Makin, doutora pela Universidade de Cambridge e analista internacional, publicado por Página|12, 27-01-2026.
Eis o artigo.
Mais acuado do que nunca, impulsionado pela obsessão de Netanyahu, Trump lançou a guerra contra o Irã. Ele cancelou o voo de seus negociadores para Islamabad e retornou ileso à Casa Branca após uma tentativa ruidosa de intimidar seus apoiadores ou a si mesmo no jantar dos correspondentes da Casa Branca. Ele espera a visita do Rei Charles III do Reino Unido nesta segunda-feira, dia 27; fiel ao seu estilo, planeja humilhar o rei.
A malignidade narcisista de Trump, diagnosticada livro por sua prima Mary Trump, doutora pela Universidade Cornell, superou sua conhecida bajulação à monarquia britânica.
Como? Ele planeja se vingar publicamente do primeiro-ministro britânico, Sir Keir Starmer, durante a visita de Estado do monarca. Por quê? Porque Starmer se recusa a apoiar incondicionalmente sua campanha militar.
Charles III possui décadas de experiência diplomática que sabe usar muito bem. Ele viaja na esperança de reparar a relação especial abalada entre o Reino Unido e os Estados Unidos. Mas será que ele cairá na armadilha secreta que Trump está planejando?
Teremos que ver como se desenrolam os três dias da tão aguardada visita, enquanto tudo indica, segundo observadores experientes nos EUA, como John Mearsheimer, que a guerra com o Irã está irremediavelmente perdida.
Trump, gastando US$ 1 bilhão por dia com o rabo entre as pernas, pôs um fim indefinido a um bombardeio aéreo que jamais poderia levar o Irã a abandonar suas ambições nucleares.
Além disso, o Irã continua seus ataques, desta vez com o equivalente geográfico de armas nucleares. Os EUA têm escassez de mísseis e drones, mas o Irã se vira com armas mais baratas, porém abundantes. Tornou impossível a navegação segura pelo Estreito de Ormuz.
Ninguém está assumindo o risco, exceto pagando US$ 2 milhões por petroleiro, um preço acordado por Teerã. Já existem mais de 30 petroleiros, apesar do tão alardeado, porém pouco eficaz, bloqueio imposto pelos EUA. Os prêmios de seguro marítimo continuam proibitivos.
Outro rumor está circulando em Washington: a questão enigmática sobre se o ataque no jantar dos correspondentes foi real.
Para começar, o jantar com os correspondentes prometia ser tempestuoso. O suposto ataque, que, devido ao alvoroço, não aconteceu, também obriga o monarca britânico a expressar sua preocupação com a segurança de Trump e seus assessores incompetentes.
Não há como escapar da armadilha em que Trump, mal informado e ainda pior aconselhado, se meteu.
A mudança de regime no Irã, que ele almejava, é claramente contraproducente. O Irã, que há muito antecipava a superioridade militar americana, supera a remoção de sua liderança, continua seus ataques estrategicamente superiores e consolida ainda mais sua vantagem recentemente conquistada, algo que observadores nos Estados Unidos vêm notando.
O apoio eleitoral a Trump continua a diminuir. Esta é uma batalha sem fim, contra a qual ele fez campanha, com a percentagem de eleitores que antes o apoiavam agora a opor-se a ele, ultrapassando os 60%.
Será que Trump está seguindo o exemplo improdutivo de seu discípulo subserviente, o presidente argentino Javier Milei, cuja imagem negativa atinge níveis semelhantes, segundo pesquisas de opinião em nosso país?
O comportamento cada vez mais imprevisível, característico da já conhecida imprevisibilidade trumpiana, continua a crescer.
As eleições para renovar 50% da Câmara dos Representantes dos EUA, agendadas para novembro, estão se aproximando inexoravelmente. Líderes de opinião nos EUA já concordam que a maioria republicana no Senado, a câmara que constitucionalmente decidiria sobre os processos de impeachment, também pode estar em risco.
Já não surpreende, entre as estratégias extravagantes de Trump, que ele esteja considerando suspender as eleições de uma forma completamente inédita, alegando uma emergência que colocaria em risco a segurança nacional.
A lista de delírios que supostamente circulam nos EUA a respeito da suposta deterioração da capacidade mental do presidente americano parece interminável. Pelo menos até que a pouca sanidade que talvez surja em 2027 prevaleça. Somando-se a essa lista está a insistência de Trump no controverso plano de remodelação da Casa Branca.
O preço para os EUA é exorbitante. Os aliados da OTAN não podem mais contar, como faziam desde o período pós-guerra, com os EUA liderando o mundo livre e atuando como um protetor militar.
A tão alardeada paz quase imediata entre a Rússia e a Ucrânia, que ele também prometeu em sua campanha, está chegando de forma muito tardia. Trump era conhecido por ser pouco ortodoxo. Parece que tudo está indo muito mal, completamente de cabeça para baixo.
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