O dano e o insulto. Homens razoáveis e instituições cegas. Artigo de Andrea Grillo

Foto: Engin_Akyurt | Pixabay

Mais Lidos

  • O Papa descreve o Concílio Vaticano II como a "estrela polar do caminho da Igreja" e apela ao progresso na "reforma eclesial"

    LER MAIS
  • Papa Leão XIV: Um golpe nos poderosos

    LER MAIS
  • “A memória sem cérebro desafia a associação quase automática entre memória e sistema nervoso central”, exemplifica o pesquisador

    Os mistérios mais atraentes da neurobiologia vegetal são os que questionam as categorias do pensamento moderno. Entrevista especial com Guilherme Soares

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

17 Setembro 2022

 

Podemos fechar os olhos quando se trata de explorar, pagar mal, sem garantir condições de vida minimamente humanas a algumas pessoas. Depois, se essas pessoas precisam receber um tratamento médico, não lhes reconhecemos nenhum direito.

 

O comentário é do teólogo italiano Andrea Grillo, professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, em Roma. O artigo foi publicado em Come Se Non, 15-09-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Eis o texto.

 

No último post, contei uma história impressionante e tocante. Porém, é preciso acrescentar à história mais um detalhe que é quase inacreditável.

 

De fato, verificou-se que o paciente tinha a carteira de saúde vencida e, além disso, não podia obter uma nova porque não tinha autorização de residência. Daí o pedido de algumas assinaturas, com as quais ele se comprometia a pagar a internação, a cirurgia e os tratamentos.

 

Diante dessa passagem, acho que é justo fazer duas considerações diferentes.

 

O problema da carteira de saúde foi levantado após se ter feito a cirurgia. Trata-se de um cenário totalmente diferente daqueles que vimos ser contados e representados tantas vezes pelos meios de comunicação: eu estabeleço do que você precisa em termos de saúde, mas só prossigo quando você mostra um título válido.

 

Esse é um cenário que felizmente evitamos. No entanto, prosseguiu-se mesmo assim, mesmo sem título, segundo o justo princípio da gratuidade do tratamento para quem quer que dele precise.

 

No entanto, isso não significa que, no plano formal, o jovem africano não tivesse direito a um benefício, e esse é o lado mais cego das nossas instituições: podemos fechar os olhos quando se trata de explorar, pagar mal, sem garantir condições de vida minimamente humanas; nos é permitido o poder de arruinar uma pessoa. Mas, depois, se essas pessoas querem ser tratadas, não lhes reconhecemos nenhum direito.

 

Talvez, em um futuro de justiça, possa acontecer que, nesses casos, o serviço nacional de saúde seja pago pelos patrões sem escrúpulos.

 

O certo é que encontramos a maior dignidade nas palavras que o rapaz africano disse com simplicidade: “Atravessei o deserto, atravessei o mar: e estou aqui”.

 

Leia mais