África, padres pais de filhos?

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28 Junho 2022

 

Nos últimos dias, durante minhas caminhadas diárias pelas Igrejas, escuto as conferências do Festival de Economia realizado em Trento nos primeiros dias de junho. Considero muito interessante o tema escolhido para esta edição. Como lidar com padres em atividade que, de uma relação clandestina com uma mulher, têm filhos? Talvez pela primeira vez de forma tão clara e solene, o episcopado do Congo-Kinshasa colocou publicamente a questão, dando uma resposta à qual também olharão os bispos de outros continentes que têm o mesmo problema.

 

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada por L'Adige, 27-06-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Na África - especialmente na região equatorial e meridional - existe uma forte "filosofia da vida", que é a ideia de que todo homem, para ser verdadeiramente tal, para perpetuar seus ancestrais deve ter uma descendência e, portanto, uma esposa e filhos. Por esta razão, o celibato dos padres latinos, embora teoricamente respeitado e louvado, é de fato quebrado por muitos presbíteros.

 

Isso, às vezes, também acontece em outros lugares, mas na República Democrática do Congo (2,3 milhões de quilômetros quadrados de área, com 92 milhões de habitantes), é particularmente acentuado; afinal, se não fosse assim, por que o episcopado de um país onde quase metade da população é católica teria que dedicar um longo documento a um fenômeno constrangedor? Ora, em um amplo texto de março passado, posteriormente divulgado pelo site da "Nigrizia", os cerca de sessenta bispos do país, enquanto louvam a fidelidade de muitos sacerdotes ao celibato ("sinal de liberdade para servir as pessoas"), constatam que outros o infringem e que têm filhos. O que fazer? Pois bem - respondem os prelados – a justiça para com a prole, e para com as mães que, unindo-se aos padres, a geraram, exige que os pais acompanhem realmente a educação e a criação dessas crianças. Portanto - afirma o documento - esses padres deveriam pedir ao papa a dispensa de suas obrigações sacerdotais; e, se não o fizerem, podem ser reduzidos ao estado laical.

 

Mas os bispos poderão atender as paróquias, se esses padres/pais forem numerosos? Por outro lado, o problema se repete também na Nigéria, Guiné, Camarões, Angola, Uganda, Quênia, Tanzânia e Zimbábue... Em algumas Igrejas Orientais Católicas, os seminaristas, antes de serem ordenados sacerdotes, podem escolher se casam ou não. Uma hipótese que interessa também a alguns países europeus, como a Alemanha, onde se invoca o celibato facultativo dos padres, e também os ministérios femininos.

 

Em 2019, o Sínodo para a Amazônia havia sugerido a ordenação presbiteral de diáconos já casados para a região: mas Francisco – decepcionando muitos, mas agradando aos cardeais “conservadores” como Camillo Ruini – ignorou a proposta. Algumas regiões alpinas também constatam o quase desaparecimento de jovens que, embora interessados pelo sacerdócio, queiram aceitá-lo como celibatários; mas não sabem como resolver a questão sem uma revisão teológica radical dos ministérios.

 

É claro que o problema enfrentado pelos congoleses não diz respeito apenas à África. A emergência da escassez do clero é urgente em muitas partes do mundo: será abordada pelo Sínodo Geral de outubro de 2023? Pode ser. Mas uma coisa é certa: com a pequena tripulação, o navio da Igreja Romana não poderá navegar em mar aberto.

 

 

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