Sínodo para a Amazônia, um impulso eclesial para o Acordo de Paris

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16 Dezembro 2020

A proteção do meio ambiente, o cuidado com a casa comum, para usar uma expressão muito própria, é uma das preocupações do Papa Francisco. Ele está comprometido com isso, sabendo que isso fará dele poderosos inimigos, tanto dentro como fora da Igreja, pessoas que apesar de sua alta posição eclesiástica e seus estudos teológicos não querem entender o Mistério do Deus encarnado, daquele que assumiu a condição humana.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

Cinco anos após o Acordo de Paris, podemos dizer que a Igreja Católica, com o Papa Bergoglio à frente, tem tomado medidas e deixado claro seu compromisso com a ecologia integral. A COP21 foi precedida pela encíclica Laudato Si', considerada por muitos como uma revolução dentro do Magistério pontifício. Mas esse texto não parou por aí, mas sim se desdobrou e foi levado à realidade das pessoas comuns.

Por este motivo, em 15 de outubro de 2017, o Papa Francisco convocou o Sínodo para a Amazônia, que ele mesmo definiria como o filho de Laudato Si'. Um elemento fundamental do último sínodo foi o trabalho com aqueles que melhor entendem o que significa ecologia integral, os povos originários da Amazônia, verdadeiros mestres no cuidado da Mãe Terra, pois, embora alguns possam rejeitar esta expressão, é assim que a consideram, a ponto de cuidar dela como se cuida de uma mãe. O Documento Final do Sínodo o define como "uma nova experiência de escuta para discernir a voz do Espírito", que tinha conseguido provocar "a esperança de abraçar e praticar o novo paradigma da ecologia integral, o cuidado da 'casa comum' e a defesa da Amazônia".

A importância da Amazônia para o futuro do planeta é decisiva. O Papa Francisco, sempre atento ao que lhe vem do mundo científico, sabe disso. Neste sentido, um dos maiores conhecedores da Amazônia, o cientista brasileiro Carlos Nobre, que participou da Assembleia Sinodal do Sínodo para a Amazônia, afirmou repetidamente sobre o que ele chama de ponto de não retorno, que ameaça transformar a floresta amazônica em uma savana, algo do qual há cada vez mais evidências, como o fato de que a estação seca é cada vez mais longa. Na verdade, Nobre vê isso como algo próximo, que pode acontecer em 20 anos.

As políticas do atual governo brasileiro, considerado internacionalmente como um dos grandes vilões quando se trata de cuidar do planeta, contribuem de forma decisiva para isso. O desmatamento, os incêndios, a mineração legal e ilegal e os ataques aos povos indígenas tornaram-se parte da vida cotidiana no Brasil, sendo o próprio governo e seus apoiadores os principais incentivadores para estas situações, o que poderia ser considerado um exemplo do que a Assembleia Sinodal definiu como pecado ecológico, "uma ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, a comunidade e o meio ambiente. É um pecado contra as gerações futuras e se manifesta em atos e hábitos de poluição e destruição da harmonia do meio ambiente, transgressões contra os princípios da interdependência e ruptura das redes de solidariedade entre as criaturas (cf. Catecismo da Igreja Católica, 340-344) e contra a virtude da justiça".

Na semana passada, o Papa Francisco lembrou aos líderes mundiais reunidos para discutir o clima, em um evento organizado pelas Nações Unidas, a importância de proteger o meio ambiente e de se comprometerem a chegar a zero emissões, algo que o Vaticano espera alcançar em 2050. Esta luta deve ir de mãos dadas com a luta contra a pobreza e a proteção dos mais fracos, porque não podemos esquecer que o grito da Terra e o grito dos pobres são o mesmo. Por isso, afirmou a necessidade de "uma ecologia integral que coloque a dignidade humana e o bem comum em seu centro".

Em suas palavras, o Papa insistiu na importância de uma educação que "promova um modelo cultural de desenvolvimento e sustentabilidade", um aspecto presente no processo sinodal. O Documento Final do Sínodo para a Amazônia insiste na "construção coletiva de processos educativos que tenham tanto na forma como no conteúdo, a identidade cultural das comunidades amazônicas, insistindo na formação da ecologia integral como eixo transversal". Na mesma linha, a Querida Amazônia afirma que "a grande ecologia incorpora sempre um aspecto educativo que provoca o desenvolvimento de novos hábitos nas pessoas e grupos humanos". Estes são aspectos que estão sendo promovidos pelo Vaticano de diferentes maneiras, um exemplo disso é o Pacto Educativo Global e a Economia de Francisco, mostrando mais uma vez que tudo está interligado.

Os novos caminhos de conversão ecológica, seguindo o que foi dito no Documento Final do Sínodo, e o sonho ecológico, que aparece na Querida Amazônia, são expressões concretas que devem nos levar a tentar curar "as feridas causadas pelo ser humano" e nos conduzir pelo caminho da ecologia integral, tomando como base as reflexões de Laudato Si'. De fato, o Documento Final afirma que "a ecologia integral não é apenas mais um caminho que a Igreja pode escolher para o futuro neste território, ela é o único caminho possível, já que não há outra forma viável de salvar a região". Isto não será possível, nas palavras da exortação pós-sinodal, "se as pessoas não mudarem, se não forem encorajadas a optar por outro estilo de vida, menos voraz, mais sereno, mais respeitoso, menos ansioso, mais fraterno".

 

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