Marco Politi: “Há uma cultura de encobrimento na Igreja”

Foto: Pixabay

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11 Dezembro 2020

Marco Politi, jornalista especialista em Vaticano e autor do best-seller “Sua Santità” e do livro “Francisco entre os lobos”, denunciou a persistência de abusos a menores por parte da Igreja Católica durante séculos devido a “uma cultura de encobrimento”, porém, defende a figura do Papa.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 10-12-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

A fundação Joan Maragall, em colaboração com o Observatório Blanquerna organizaram hoje a jornada “Um papa entre lobos” com a presença do jornalista italiano Marco Politi para tratar a figura do papa Francisco e suas criticadas reformas dentro da Igreja Católica.

O jornalista demarcou durante o ato que as medidas adotadas por Francisco originaram uma oposição por parte dos setores conservadores do Vaticano, sobretudo pela intransigência do atual Papa com aqueles padres investigados por abusos a menores.

Politi expõe que uma parte da Igreja se opôs às reformas do papa Francisco dividindo assim a comunidade católica, particularmente pelo Sínodo da Amazônia, uma proposta para ordenar homens casados nas zonas isoladas.

Padres casados e homossexualidade

“Há bispos e cardeais que atacam o Papa e ateus que o defendem; nos últimos anos houve uma agressividade contra sua figura e vários bispos publicaram livros contra as reformas de Francisco”, declarou Politi.

A oposição contou com o apoio do predecessor papa Bento XVI e parte da comunidade cristã diante da possibilidade de padres casados e devido a estas pressões Francisco ainda não pronunciou um veredito, segundo o jornalista.

Opina também que Francisco foi questionado por afirmar que os homossexuais têm direito a viver em família, declarações que não fomentaram sua popularidade com cardeais ortodoxos, partidário de excluir os homossexuais do catolicismo.

A “fraudulenta administração” do Vaticano também provocou que o Papa iniciasse a denominada “procuradoria do Vaticano”, um organismo que tomou “medidas radicais” contra defraudadores normalmente retirados da instituição religiosa.

“Com um novo Papa será impossível retroceder aos princípios irrenunciáveis, agora já não se discute sobre o uso da pílula contraceptiva, relações pré-matrimoniais ou divórcio”, concluiu Politi.

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