Jornal The Guardian renuncia à publicidade de petroleiras: “O clima é o desafio mais importante dos nossos tempos”

Poluição | Foto: Reprodução

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31 Janeiro 2020

O jornal britânico The Guardian anunciou que renunciará a todas as publicidades de empresas de petróleo e gás, como um gesto concreto contra a crise climática. Trata-se da primeira grande publicação internacional a tomar uma decisão dessas. Foram imediatos os aplausos de Greta Thunberg: “Um bom início, quem irá além?”, escreveu a ativista sueca no Twitter.

A reportagem é de Tonia Mastrobuoni, publicada por La Repubblica, 29-01-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A decisão, segundo o jornal, entrou em vigor imediatamente. Diz respeito a todas as empresas envolvidas na extração de fontes de energia fóssil, incluindo alguns dos maiores investidores publicitários do mundo.

Ao motivar a reviravolta, o jornal londrino declarou que quer combater “os esforços feitos há décadas por muitas pessoas nessa indústria para impedir ações climáticas significativas por parte dos governos em todo o mundo”.

Em uma nota, a diretora geral interina, Anna Bateson, e o seu gerente de negócios, Hamisch Nicklin, sublinharam que a resposta ao aquecimento global representa “o desafio mais importante dos nossos tempos”.

“O modelo de financiamento do Guardian permanecerá precário nos próximos anos”, afirmam os dois empregados do jornal, que obtém quase 40% da sua receita com publicidade. O Guardian agora espera que alguns anunciantes aprovem a medida e se voltem mais para o jornal no futuro.

“Este é um divisor de águas, e o Guardian deve ser aplaudido por essa medida ousada para pôr fim à legitimidade dos combustíveis fósseis”, afirmou Mel Evans, ativista do Greenpeace no Reino Unido, convidando outras mídias a fazerem o mesmo.

“Há muito tempo, as gigantes dos combustíveis fósseis, como a BP e a Shell, que estão causando a nossa emergência climática, conseguiram se safar com ‘publicidade verde’, investindo 97% da sua receita em petróleo e gás”, acrescentou.

No ano passado, o Guardian revisou suas práticas editoriais para refletir melhor o tamanho do desafio, usando também os termos “emergência climática” em vez de “mudanças climáticas”. O jornal pretende atingir o objetivo de “impacto zero em carbono”, ou “neutralidade em carbono”, até 2030.

Antes dele, em setembro, o pequeno jornal sueco Dagens ETC, lançado em 2014, renunciou a toda publicidade que promovesse bens e serviços a partir de combustíveis fósseis.

 

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