Paraguai: os bispos pedem ao governo clareza e responsabilidade sobre o caso da represa de Itaipu e sobre um "acordo secreto" com o Brasil

Bolsonaro e Mario Abdo Benítez, presidente do Paraguai | Foto: Presidência da República

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02 Agosto 2019

Um acordo assinado em segredo. Protestos no país. E o pedido de transparência por parte dos bispos. A história do acordo com o Brasil inflama o Paraguai em relação ao fornecimento de energia do país através da bacia de Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo. A enorme barragem está localizada no Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. As necessidades de energia do Rio de Janeiro e São Paulo dependem da usina. Em 24 de maio, foi assinado um "acordo secreto" entre o governo liderado por Mario Abdo Benítez e o Brasil.

Depois de conhecer o conteúdo, Pedro Ferreira, presidente da Autoridade Paraguaia (Andes) que administra os recursos elétricos, demitiu-se de seu cargo, afirmando que o acordo comprometia o Paraguai a adquirir mais energia do que suas necessidades e que isso dependia de uma atitude extorsiva por parte da empresa brasileira de eletricidade Eletrobras.

A reportagem é publicada por SIR, 01-08-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

Tudo isso deu origem a inúmeras manifestações e protestos, o que levaram o Senado a votar uma moção contra o acordo e forçando o governo a renegociá-lo. Em uma nota, a Conferência Episcopal do Paraguai, reunida nestes dias em assembleia, pediu ao governo que esclarecesse os vários aspectos do acordo bilateral assinado em segredo. "Acreditamos – consta no texto - que o tema em relação à barragem de Itaipu e a assinatura de novas condições na renegociação do Anexo C do tratado, previsto para 2023, seja sensível e estratégico para o Paraguai". São necessários, portanto, um alto nível de "amor à pátria, participação e envolvimento social".

Os bispos apreciam o fato de que o povo tenha se manifestado, demonstrando assim um desejo de informação e interesse pelo bem comum. E esperam que as referências que orientarão o Governo na nova negociação sejam "a busca do bem comum, a responsabilidade e a transparência", objetivos a serem alcançados também com a contribuição de especialistas de várias disciplinas.

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