Acusações de abuso podem aumentar após o caso de um ilustre ser trazido à luz

Foto: Pixabay

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22 Junho 2018

Tempos atrás ocorreu um aumento dos relatos de abuso sexual do clero nas dioceses e é provável que aconteça novamente na esteira da afirmação contra o cardeal Theodore E. McCarrick, arcebispo aposentado de Washington, de acordo com o chefe da Secretaria dos Bispos para a Proteção da Criança e da Juventude dos Estados Unidos. Essas alegações e investigações, no entanto, não serão apenas sobre McCarrick, de acordo com o diácono Bernie Nojadera, diretor executivo do secretariado.

A reportagem é de Mark Pattison, publicada por Catholic News Service, 21-06-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Nojadera disse que o exemplo mais notável foi a seguir da série "Spotlight", do Boston Globe, examinando o abuso sexual na arquidiocese de Boston, no início de 2002. Outro exemplo que ele deu foi o lançamento do filme Spotlight, baseado nas reportagens do jornal. No caso do filme, no entanto, relatórios de abuso "não eram apenas sexuais de clero, mas de todos os tipos", acrescentou.

Em uma entrevista no dia 20 de junho ao Catholic News Service ele descreveu a diferença entre alegações de abuso “credíveis” e “substanciais”. Ambos os termos foram usados ​​no relatório da arquidiocese de Nova York, sobre a queixa contra McCarrick no incidente de 1971.

"Credível" significa "poderia ter acontecido". "Substancial", no entanto, significa "há evidências para comprovar isso", acrescentou Nojadera. Essa evidência nasce em uma investigação policial do incidente, uma prática seguida pela arquidiocese de Nova York na queixa contra McCarrick. "Há algo que aponta para o fato que isso realmente aconteceu".

Em sua declaração de 20 de junho, McCarrick aceitou a diretiva do Vaticano e renunciou ao ministério, apesar de dizer que não lembrava do incidente e que "acredito na minha inocência".

O incidente foi de 47 anos atrás. Dados todos os relatos de abuso que foram arquivados desde 2002, quando o escândalo em Boston foi exposto, pode parecer difícil acreditar que há aqueles que ainda não relataram abuso.

"Tivemos pessoas que denunciaram abusos dos anos 30", disse Nojadera, ao CNS. Cada pessoa que foi vítima de abuso se prepara para discutir isso em seu próprio tempo, acrescentou.

“O medo, o constrangimento e a vergonha influenciam a falta de vontade de denunciar abusos. Algumas vítimas vivem em uma pequena diocese, em cidades pequenas, onde todo mundo conhece todo mundo, e tem medo de denunciar abusos, dadas essas circunstâncias”, completou.

Aqueles que se apresentarem, no entanto, serão tratados com muitíssimo respeito por aqueles que contatarem o responsável na diocese, disse o diácono.

Assim como a rede diocesana se ampliou para oferecer assistência às vítimas, o número de pessoas que demonstram interesse em evitar abusos e prestar assistência também se expandiram. A agora chamada "Child and Youth Protection Catholic Leadership Conference” (Conferência de Liderança Católica de Proteção a Criança e Juventude, em português) possui uma nova sede em Nova Orleans, cujo trabalho envolve bispos e vigários.

"Não é apenas uma ou duas pessoas em uma diocese, e nem uma ou duas pessoas numa paróquia que estão tratando questões de abuso”, afirmou Nojadera.

Agora, com um dos funcionários de alto escalão da Igreja dos Estados Unidos sendo acusado de abuso, será que as denúncias de abuso serão interrompidas?

"Me perguntam sobre isso", disse Nojadera, "eu respondo que serão interrompidas quando Cristo voltar."

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