O Cazaquistão "bastião da fé", mas os católicos são apenas um por cento

Tomash Peta, Jan Pawel Lenga, Athanasius Schneider (Foto: YouTube | Montagem: IHU)

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09 Janeiro 2018

Três bispos "heróicos", na opinião da mídia católica em guerra contra o herético pontífice romano das aberturas para os recasados na Amoris laetitia. Três bispos do Cazaquistão, de várias origens: um polonês, um ucraniano e um do Quirguistão de ascendência teutônica. Respectivamente: Tomash Peta, Jan Pawel Lenga,
Athanasius Schneider.

A informação é de Fabrizio D'Esposito, publicada por Fatto Quotidiano, 08-01-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Após os quatro cardeais do cinco dubia contra a exortação apostólica Amoris laetitia (dois dos quais falecidos nesse meio tempo), agora são esses três monsenhores os novos arautos do clericalismo doutrinário que sonha com uma nova Lepanto anti-Bergoglio. Como se as fronteiras da "verdadeira fé" tivessem se deslocado ainda mais ao leste, até a Ásia. O Cazaquistão, no caso. O país da ex-URSS, hoje prisioneiro da ditadura de Nazarbayev. No final do ano, os três "heróicos" prelados compilaram e divulgaram um documento para "corrigir" o papa sobre a comunhão aos recasados. Título: Profissão das verdades imutáveis sobre o matrimônio sacramental. Um texto nascido da necessidade de erradicar "a praga do divórcio" que está se espalhando dentro da Igreja. Reproduzida e amplificada por todos os órgãos on-line da patrulha tradicionalista (incluindo os blogs de conhecidos vaticanistas), a Profissão define como "ilícitas as relações sexuais fora do matrimônio sacramental" e, portanto, a impossibilidade de ter acesso ao sacramento da comunhão para os fiéis divorciados ou recasados.

Uma "correção" que visa forçar uma reação do Papa Bergoglio, que permaneceu em silêncio diante dos cinco dubia, e que até coloca no centro do palco o distante Cazaquistão, inclusive como um "bastião da fidelidade" à Doutrina, com a letra maiúscula. Um papel, talvez um pouco exagerado. Se não por outros motivos, pelo menos pelos números. Dos quinze milhões de cazaques, os católicos são, de fato, pouco mais de um por cento. O país é de maioria muçulmana, cerca de 70 por cento, enquanto os cristãos ortodoxos são cerca de 25 por cento.

Em suma, o Cazaquistão não é como a sombria Polônia predominantemente tradicionalista. Mas, na guerra contra Bergoglio, vale tudo.

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