Fascismo e Intolerância - Entre Pokemons e Olimpíadas

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09 Agosto 2016

Reprodução capa Revista IHU On-Line

A edição desta semana da Revista IHU On-Line traz no tema de capa a discussão sobre o fascismo - A volta do fascismo e a intolerância como fundamento político. O termo deriva da palavra em latim Fasces, que é símbolo e ícone de poder na Roma Antiga. O instrumento, formado por hastes de betuna que juntas formavam um feixe inflexível em que se prendia a lâmina do machado, era utilizado para impôr suplício aos desobedientes.

No século XXI o fascismo se dá de outro modo, nem sempre tão óbvio. Não sou afeito ao joguinho de celular que "caça" Pokemons, mas não considero seus jogadores estúpidos. Há potência afetiva em jogo capaz de se atualizar em arte e em barbárie. Que sejamos, então, capazes de fazer a primeira prevalecer, nem que para tanto o caminho seja a subversão dos interesses comerciais em questão.

Quanto as Olimpíadas, ocorre o mesmo. Não se trata de não gostar ou não admirar as modalidades esportivas e a dedicação de milhares de atletas ou mesmo o evento em si. Trata-se de garantir que o direito das pessoas seja preservado e que o fascismo não se manifeste nem de forma legalista, nem de forma autoritária. Que a Constituição seja, simplesmente, respeitada e que o direito de ir, vir e se expressar seja mantido e esteja acima dos interesses financeiros do evento, que não podem contrapôr nossa Carta Magna.

É como diz a canção, "o fascismo é fascinante deixa a gente ignorante, fascinada". É na dialética entre o sútil e o grotesco que o fascismo se manifesta em nossas sociedades. Tentar compreendê-lo é a única tarefa capaz de nos fazer tropeçar na marcha cega e assumir outros fluxos. E que sejam fluxos de humanidade.

Por Ricardo Machado