“Os pobres não somente sofrem a injustiça; eles também se unem e se organizam contra ela”, afirma Grabois

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Por: André | 13 Junho 2016

O dirigente social Juan Grabois (foto) disse que sua nomeação pelo Papa Francisco para ser “consultor” do Pontifício Conselho Justiça e Paz é “totalmente desmerecida”, mas entende ser um “reconhecimento do setor das organizações que lutam por terra, teto e trabalho”.

 
Fonte: http://bit.ly/1UuvveO  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



A reportagem é publicada por Télam, 11-06-2016. A tradução é de André Langer.

Em conversa por telefone com Télam, o também presidente da Confederação de Trabalhadores da Economia Popular (CTEP) comentou que ficou sabendo da nomeação ao meio dia de Buenos Aires.

Grabois, que conhece a dinâmica do universo popular não apenas da Argentina e da América Latina, repete as palavras de Francisco e afirma que “fazer parte dos processos é mais importante que ocupar espaços”.

O jovem advogado vem trabalhando para o Pontifício Conselho Justiça e Paz desde que Jorge Bergoglio foi ungido como romano pontífice e participou da organização dos encontros sociais realizados em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e em Roma.

“A América Latina é o lugar que mais conheço, mas trabalhamos com os cinco continentes, onde existe a luta dos carrinheiros da Índia ou os assentamentos do Quênia, migrantes e vendedores ambulantes de Roma, ou nossos senegaleses que são perseguidos”, acrescentou.

Grabois evita dar detalhes sobre sua proximidade com o Papa e prefere destacar as ideias de uma doutrina social católica que busca “colocar no centro” os setores excluídos e “dar visibilidade a essa produtividade oculta que não é medida no PIB de um país”.

“Os movimentos populares são poetas sociais, porque criam terra, teto e trabalho com os dejetos do sistema, ou do nada”, acrescentou para destacar o protagonismo que esses atores terão na luta “contra a degradação da mãe Terra e na luta contra o deus dinheiro”.

O vínculo entre o dirigente da CTEP e o então arcebispo de Buenos Aires começou em 2008, quando o cardeal presidiu a primeira missa pública com carrinheiros e trabalhadores precários, algo que repetiria na capital argentina até sua eleição para sucessor de Pedro.

Em 2014, Grabois seria um dos organizadores do 1º Encontro Mundial de Movimentos Populares realizado no Vaticano, cenário em que Francisco falou pela primeira de terra, teto e trabalho.

Depois, já em 2015, o encontro se repetiria durante o giro do Sumo Pontífice na Bolívia.