O cardeal Ravasi admite que “o diaconato para as mulheres é possível”

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26 Fevereiro 2017

“O diaconato para as mulheres é uma possibilidade”. O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, mostrou-se a favor de “discutir” esta questão, na linha do Papa Francisco, que há alguns meses ordenou a criação de uma comissão para abordar este tema.

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada por Religión Digital, 25-02-2107. A tradução é de André Langer.

Em uma entrevista para o sítio da Igreja alemã, Katholisch.de, o cardeal, um dos homens de maior confiança do Papa na cúria, destacou que “o diaconato para as mulheres seria possível, mas deve ser discutido, já que a tradição histórica é muito complexa”.

Não obstante, Ravasi criticou a visão “clerical” que existe neste debate, que parece centrado exclusivamente no acesso às ordens. “Por que não começamos a falar de mulheres que assumem outras funções importantes na Igreja, como as mulheres que administram as paróquias, dirigem as finanças da Igreja ou são responsáveis pela arquitetura?”, perguntou-se.

Em relação à presença de mulheres no Vaticano, Ravasi recordou que 35 mulheres participaram do Conselho para a Cultura, entre elas “uma professora universitária, uma mãe, duas muçulmanas, uma judia, uma não crente, mulheres do mundo da moda, jornalistas”.

O cardeal reconheceu que “as mulheres veem muitas coisas de maneira diferente dos homens. Nossas conselheiras ajudam a preparar a nossa assembleia geral e da qual podem participar. Espero que o nosso modelo se transforme em um modelo para outros Pontifícios Conselhos”.

Ravasi admitiu as dificuldades para propor até mesmo o debate em alguns setores, incluindo seu próprio dicastério. “Se alguém (dos meus colaboradores) dissesse que era a favor da ordenação de mulheres, por exemplo – e, na minha opinião, seria perfeitamente legítimo expressar sua opinião abertamente –, a seguinte manchete, sem dúvida, daria a volta ao mundo. Algo assim como: ‘Ravasi sugere a ordenação de mulheres’”. “Este tipo de ambiguidade na comunicação é, atualmente, um problema muito grande”, disse.

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