Teoria de Keynes chegou cedo ao País

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30 Julho 2011

Para o economista Celso Furtado, ex-ministro do Planejamento e da Cultura falecido em 2004, a aplicação da teoria keynesiana no Brasil ocorreu antes mesmo de John Maynard Keynes publicar o seu clássico em 1936. De acordo com Furtado, isso ocorreu com a política visionária da queima de café em 1930 por Getúlio Vargas, daí muitos a chamarem de keynesianismo "avant le lettre".

A reportagem é de Fábio Alves e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 31-07-2011.

Ao despejar muito dinheiro na proteção do preço do café, Vargas inovou na adoção de uma política anticíclica, fazendo com que o Brasil fosse um dos primeiros países a se recuperar do efeito da grande depressão da década de 1930.

Tal arrojo não passou despercebido pelos Estados Unidos: para salvar a economia americana, o governo do presidente Franklin Delano Roosevelt implementou o "New Deal", plano de recuperação da economia americana com investimento pesado do Estado em obras públicas e controle de preços, enterrando a política do liberalismo econômico, ou "laissez-faire", que prevalecia no mundo desenvolvido até então.

E Roosevelt não deixou de reconhecer a visão de Vargas em 1930. Num discurso em 27 de novembro de 1936, durante visita ao Rio de Janeiro, Roosevelt fez um afago ao líder brasileiro. "Despeço-me esta noite com grande tristeza. Há algo, no entanto, que devo sempre lembrar. Duas pessoas inventaram o New Deal: o presidente do Brasil e o presidente dos Estados Unidos", disse Roosevelt, em frase pinçada da tese de doutorado de Flávio Limoncic apresentada na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O discurso do presidente americano no Rio de Janeiro encontra-se na íntegra na biblioteca Franklin D. Roosevelt, no Estado de Nova York.