A aposta errada de Bento XVI, segundo José Oscar Beozzo

Mais Lidos

  • O Apocalipse não é o fim do mundo, mas a salvação do cristão. Artigo de Enzo Bianchi

    LER MAIS
  • Primeira encíclica do Papa Leão XIV reforça o conceito de dignidade ontológica absoluta, denuncia a não neutralidade tecnológica e concentração privada do poder digital e chega a um público que os documentos jurídicos não alcançam, diz advogado e pesquisador da área do Direito

    Magnifica Humanitas: “Uma leitura que nenhum documento governamental teria facilidade de fazer com franqueza”. Entrevista especial com Marcelo Chiavassa

    LER MAIS
  • Veja o que pode mudar após Câmara aprovar fim da escala 6x1

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

03 Março 2013

"Creio que os cardeais serão muito cautelosos no conclave. A tendência, após um pontificado muito longo, é escolher um cardeal de mais idade, para um pontificado breve. Quando ele é breve, surge a tendência inversa ou um meio-termo. Tenho a impressão de que o papa vai ser escolhido entre cardeais perto dos 70 anos de idade, mas não mais, por causa do breve pontificado de Bento XVI", avalia José Oscar Beozzo, coordenador do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular e autor de livros e artigos sobre a história da igreja no Brasil e na América Latina, em entrevista publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 03-03-3013.

Segundo ele, "três quartos dos fiéis da igreja estão fora da Europa. Não há muito cabimento em ter mais da metade dos cardeais eleitores lá, quando ela representa hoje só uns 23% dos católicos do mundo. Nesse sentido, há sobrerrepresentação europeia entre cardeais e "sub-sub-sub-representação" da América Latina".

O especialista em história da Igreja tece algumas considerações sobre o futuro conclave. "Bento XVI transferiu o cardeal Scola de Veneza - que é meio fim de carreira, como o posto de um marechal no Exército- para Milão. Para bom entendedor da política interna, é uma sinalização. Havia mais de 400 bispos na Itália, entre os quais o papa podia escolher livremente um para Milão. Escolheu alguém que aparentemente não deveria ser removido, por estar num lugar prestigioso. Outra possível sinalização foi a escolha de um dos cardeais eleitores, Gianfranco Ravasi, para pregar seu último retiro como papa. Mas podemos também nos voltar para a história: Leão XIII falou aos cardeais sobre quem ele gostaria que fosse seu sucessor, mas o indicado não foi o escolhido. Depois, Pio X apostou no cardeal Gotti, mas ele também não foi eleito. O papa pode dar seu pitaco, mas não significa que os cardeais necessariamente seguirão sua sugestão".